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Manifesto do Partido Comunista — Infográfico

Panorama de uma página: tese, estrutura, conceitos e números

Karl Marx e Friedrich Engels · 1848

Manifesto do Partido Comunista

A produção econômica de cada época é a base de sua história; toda a história é história de lutas de classes — e a burguesia produziu, no proletariado, seu próprio coveiro.

  • Publicação Londres, fevereiro de 1848
  • Edição base Avante!, 1997
  • Tradução José Barata Moura
  • Extensão ≈ 69 mil caracteres nas quatro seções
  • Aparato 7 prefácios + notas de rodapé
  • Encomenda Liga dos Comunistas

Em números

2
classes em que a sociedade se cinde

a marca da época burguesa é ter simplificado a oposição de classes: onde Roma tinha patrícios, cavaleiros, plebeus e escravos, restam dois grandes campos frente a frente

< 1 século
para superar todas as gerações anteriores somadas

vapor, ferrovias, telégrafos, química aplicada, continentes arroteados: a dominação burguesa criou forças produtivas mais colossais que as de toda a história precedente

9/10
da sociedade já não tem propriedade privada

a réplica à acusação de querer aboli-la: ela existe precisamente pelo fato de não existir para nove décimos dos membros

10
medidas do programa transitório

expropriação da terra, imposto progressivo, fim da herança, confisco de emigrantes e rebeldes, banco nacional único, transportes estatais, fábricas nacionais, trabalho obrigatório, fim da separação campo-cidade, educação pública gratuita

2 meses
em que o proletariado deteve o poder na Comuna

a experiência que levou os autores a corrigir a si mesmos: a classe operária não pode simplesmente tomar posse da máquina de Estado montada e pô-la a funcionar para seus próprios fins

> 1/2
do solo russo em posse comum dos camponeses

a pergunta deixada em aberto em 1882: pode a Obchtchina saltar direto para a posse comum comunista, sem passar pela dissolução que o Ocidente atravessou?

Como o livro se organiza

  1. 1Burgueses e Proletários39%

    Genealogia da burguesia — cidades medievais, descobrimentos, manufatura, vapor — até o Estado moderno como sua comissão. O mercado mundial dissolve o que era estável; as crises de sobreprodução expõem o limite, e o operário que ela fabrica é seu coveiro.

  2. 2Proletários e Comunistas27%

    Os comunistas não são partido à parte: são a fração que compreende o movimento inteiro. A teoria cabe numa frase — supressão da propriedade privada —, seguem-se as respostas às objeções (cultura, família, pátria, religião) e dez medidas de transição.

  3. 3Literatura Socialista e Comunista30%

    Ajuste de contas com os socialismos rivais: o feudal e o clerical, que atacam a burguesia em nome de um passado; o pequeno-burguês de Sismondi, exato no diagnóstico e reacionário na cura; o "verdadeiro" alemão; o burguês de Proudhon; o utópico de Owen.

  4. 4Posição perante os partidos de oposição4%

    Tática país a país — França, Suíça, Polônia, Alemanha: apoiar todo movimento revolucionário sem calar por um instante a oposição entre burguesia e proletariado, pondo sempre a propriedade como questão fundamental do movimento.

Conceitos-chave

Pensamento fundamental

A produção econômica de cada época e a articulação social que dela decorre formam a base de sua história política e intelectual; desde a dissolução da posse comum do solo, toda a história tem sido história de lutas de classes.

Burguesia

Classe dos capitalistas modernos, proprietários dos meios de produção social e empregadores de trabalho assalariado; a primeira que não pode existir sem revolucionar permanentemente o modo de produção.

Proletariado

Classe dos operários modernos que só vivem enquanto encontram trabalho e só encontram trabalho enquanto este aumenta o capital; mercadoria como qualquer outro artigo de comércio, exposta às oscilações do mercado.

Capital

"Não é um poder pessoal, é um poder social": só pode ser posto em movimento pela atividade comum de muitos e, no limite, de todos os membros da sociedade. Sua condição é o trabalho assalariado.

Moderno poder de Estado

"Apenas uma comissão que administra os negócios comunitários de toda a classe burguesa"; suprimidas as classes, o poder público perde o caráter político.

Supressão da propriedade privada

Fórmula única em que os comunistas condensam sua teoria. Não retira a ninguém o poder de se apropriar de produtos sociais — retira o poder de, por essa apropriação, subjugar trabalho alheio.

Socialismo burguês

O de economistas, filantropos e de Proudhon: quer remediar os males sociais para assegurar a sociedade burguesa. "Querem a sociedade existente deduzidos os elementos que a revolucionam. Querem a burguesia sem o proletariado."

Socialismo crítico-utópico

Saint-Simon, Fourier e Owen: veem a oposição de classes mas não veem atividade histórica no proletariado, e põem no lugar dela um plano inventado. Elemento crítico valioso; discípulos que degeneram em seitas reacionárias.

Linha do tempo

  1. DescobrimentosA América e a circunavegação da África abrem terreno novo ao comércio: a indústria corporativa cede à manufatura, e esta ao vapor e à maquinaria — cada degrau estourando os limites do anterior.
  2. Revolução FrancesaAboliu a propriedade feudal em favor da burguesa — prova, para os autores, de que as relações de propriedade sempre estiveram sujeitas a mudança histórica.
  3. Julho de 1830Batida outra vez pelo "odiado arrivista", a aristocracia troca a luta política pelo panfleto e passa a acusar a burguesia em nome dos operários: nasce o socialismo feudal.
  4. 1846Insurreição de Cracóvia — o partido polonês que faz da revolução agrária a condição da libertação nacional, e por isso recebe o apoio dos comunistas.
  5. 8 de junho de 1847A lei das dez horas passa no Parlamento inglês: exemplo de interesse operário virado lei ao tirar proveito das cisões da própria burguesia.
  6. 18 de março de 1848Levantamentos de Milão e Berlim, quase simultâneos à publicação: em toda parte a revolução foi obra da classe operária, mas os frutos couberam à classe capitalista.
  7. 1871Comuna de Paris: o proletariado detém o poder por dois meses e prova que não pode simplesmente tomar posse da máquina de Estado já montada — única correção que os autores fazem à própria obra.
  8. 1882Diante da Rússia, a pergunta que o livro deixa em aberto: se a revolução russa der o sinal a uma revolução operária no Ocidente, a posse comum camponesa pode ser ponto de partida para um desenvolvimento comunista.

Contra quem o Manifesto gasta sua polêmica (seção III)

Socialismo reacionário (feudal, clerical, pequeno-burguês, alemão "verdadeiro") 60 % do espaço da seção
Socialismo e comunismo crítico-utópicos (Saint-Simon, Fourier, Owen) 28 % do espaço da seção
Socialismo conservador ou burguês (Proudhon, filantropos) 12 % do espaço da seção

Do próprio texto

A história de toda a sociedade até aqui é a história de lutas de classes.

original.qmd § I - Burgueses e Proletários, abertura

Tudo o que era dos estados [ou ordens sociais] e estável se volatiliza, tudo o que era sagrado é dessagrado, e os homens são por fim obrigados a encarar com olhos prosaicos a sua posição na vida, as suas ligações recíprocas.

original.qmd § I - Burgueses e Proletários

Ela produz, antes do mais, o seu próprio coveiro. O seu declínio e a vitória do proletariado são igualmente inevitáveis.

original.qmd § I - Burgueses e Proletários, fecho

Para o lugar da velha sociedade burguesa com as suas classes e oposições de classes entra uma associação em que o livre desenvolvimento de cada um é a condição para o livre desenvolvimento de todos.

original.qmd § II - Proletários e Comunistas, fecho

Por que ler

  • É a descrição inaugural da globalização: mercado mundial, produção e consumo cosmopolitas, indústrias nacionais aniquiladas pela concorrência remota — escrita em 1848 e reconhecível hoje.
  • Fornece o vocabulário com que boa parte da política moderna ainda discute — classe, capital, ideologia dominante, crise — e serve para entender também quem o combate.
  • A seção III é um manual de como criticar críticas: mostra por que um diagnóstico correto do capitalismo pode desembocar num programa reacionário, utópico ou meramente administrativo.
  • É curto: as quatro seções somam menos de 70 mil caracteres — uma tarde de leitura para um texto que moldou um século e meio.

Sintetizado de original.qmd (texto integral, lido em 8 blocos). Cada número, data e citação desta página tem procedência registrada em dados/infografico.json (passe o mouse sobre o item para vê-la). Página derivada: gerada por .misc/tools/infografico.dart.

Lacunas conhecidas: A história editorial do Manifesto — edições, traduções, o julgamento de Colônia, a Internacional, o 1º de maio de 1890 — ocupa boa parte dos sete prefácios e ficou deliberadamente fora desta página, que trata do argumento.; Duas datas (a Comuna de 1871 e a aprovação da lei das dez horas em 8 de junho de 1847) vêm das notas dos editores, não do texto de Marx e Engels; o corpo cita os episódios sem datá-los.; A genealogia da seção I é apresentada sem datas porque o texto não as dá: o Manifesto narra os degraus — manufatura, vapor, mercado mundial — sem situá-los no calendário, e nada foi importado de fora.; As respostas às objeções sobre família, comunidade das mulheres e religião, que ocupam boa parte da seção II, aparecem só resumidas na síntese da seção — não há espaço para cada uma.

Ficha · Original · Resumo

Acervo pessoal

 

Feito com Quarto