Manifesto do Partido Comunista — Original
Texto integral
Edição da Editorial Avante! (1997), tradução de José Barata Moura. Notas de rodapé preservadas. Ver o resumo para a versão comprimida.
1948, Friederich Engels e Karl Marx
Editado de acordo com a
Edição da Editorial “Avante!” de 1997
com Tradução de José Barata Moura
Prefácio à Edição Alemã de 18721
A Liga dos Comunistas2, uma associação operária internacional que, nas condições de então, obviamente só podia ser uma [associação] secreta, encarregou os abaixo-assinados no congresso realizado em Londres, em Novembro de 1847, da redação para publicação de um programa teórico e prático pormenorizado do Partido. Surgiu assim o Manifesto que se segue, cujo manuscrito seguiu para Londres, para impressão, poucas semanas antes da Revolução de Fevereiro3. Publicado primeiro em alemão, teve já nesta língua pelo menos doze edições diferentes na Alemanha, na Inglaterra e na América. Em inglês apareceu primeiro em 1850 em Londres no Red Republican, traduzido por Miss Helen Macfarlane4, e na América apareceu em 1871 em pelo menos três traduções diferentes5. Em francês, primeiro em Paris, pouco antes da insurreição de Junho de 18486, e recentemente em Le Socialiste de Nova Iorque7. Está em preparação uma nova tradução8. Em polonês, em Londres, pouco depois da sua primeira edição alemã. Em russo, em Genebra, nos anos 609. Foi traduzido para dinamarquês igualmente logo a seguir ao seu aparecimento10.
Embora as condições muito se tenham alterado nos últimos vinte e cinco anos, os princípios gerais desenvolvidos neste Manifesto conservam, grosso modo, ainda hoje a sua plena correção. Aqui e além seria de melhorar um pormenor ou outro. A aplicação prática destes princípios - o próprio Manifesto o declara - dependerá sempre e em toda a parte das circunstâncias historicamente existentes, e por isso não se atribui de modo nenhum qualquer peso particular às medidas revolucionárias propostas no fim da seção II. Este passo teria sido hoje, em muitos aspectos, redigido de modo diferente. Face ao imenso desenvolvimento da grande indústria nos últimos vinte e cinco anos e, com ele, ao progresso da organização do partido da classe operária, face às experiências práticas, primeiro da revolução de Fevereiro, e muito mais ainda da Comuna de Paris11 na qual pela primeira vez o proletariado deteve o poder político durante dois meses, este programa está hoje, num passo ou noutro, antiquado. A Comuna, nomeadamente, forneceu a prova de que “a classe operária não pode simplesmente tomar posse da máquina de Estado [que encontra]
montada e pô-la em movimento para os seus objetivos próprios”. (Ver A Guerra Civil em França. Mensagem do Conselho Geral da Associação Internacional dos Trabalhadores, edição alemã, p. 19, onde isto é desenvolvido)12. Além disso, é óbvio que a crítica da literatura socialista apresenta, para os nossos dias, algumas lacunas, uma vez que só chega a 1847; é igualmente [óbvio] que as observações sobre a posição dos Comunistas para com os diversos partidos da oposição (seção IV), se bem que ainda hoje corretas nos seus traços fundamentais, estão agora, porém, já antiquadas na sua apresentação, uma vez que a situação política se reconfigurou totalmente e o desenvolvimento histórico acabou com a maioria dos partidos ali enumerados.
Entretanto, o Manifesto é um documento histórico, que já não nos arrogamos o direito de alterar. Talvez venha a aparecer uma edição posterior acompanhada de uma introdução que percorra a distância entre 1847 e os nossos dias; a presente reimpressão surgiu-nos inesperadamente e não nos deu tempo para tal.
London, 24 de Junho de 1872. Karl Marx, Friedrich Engels
Prefácio à (segunda) Edição Russa de 188213
A primeira edição russa do Manifesto do Partido Comunista, traduzido por Bakunin, apareceu no começo dos anos 60 na tipografia do Kolokol14. Então, o Ocidente só podia ver nela (na edição russa do Manifesto) uma curiosidade literária. Tal concepção seria hoje impossível.
Quão limitado era ainda então (Dezembro de 1847) o terreno que o movimento proletário ocupava mostra-o, do modo mais claro, o capítulo final do Manifesto: Posição dos comunistas para com os diversos partidos da oposição nos vários países. Ora aí faltam precisamente a Rússia e os Estados Unidos. Era o tempo em que a Rússia formava a última grande reserva de toda a reação europeia; em que os Estados Unidos absorviam pela imigração o excedente da força proletária da Europa. Ambos os países abasteciam a Europa de matérias-primas e eram simultaneamente mercados de escoamento dos produtos industriais desta. Ambos os países eram então, portanto, dum modo ou doutro, pilares da ordem europeia vigente.
Como tudo hoje é diferente! Precisamente a imigração europeia habilitou a América do Norte para uma produção agrícola gigantesca, cuja concorrência abala a propriedade fundiária europeia - a grande como a pequena - nos seus alicerces. Além disso, permitiu aos Estados Unidos explorar os seus imensos recursos industriais com uma energia e numa escala que dentro em breve terão de quebrar o monopólio industrial da Europa Ocidental até aqui, nomeadamente o da Inglaterra. Ambas as circunstâncias reagem revolucionariamente sobre a própria América. A pouco e pouco a propriedade fundiária mais pequena e média dos lavradores15, a base de toda a constituição política, vai sucumbindo à concorrência das quintas gigantescas; simultaneamente, desenvolvem-se pela primeira vez nos distritos industriais um proletariado maciço e uma concentração fabulosa dos capitais.
E agora a Rússia! Durante a revolução de 1848-49, não só os príncipes europeus como também os burgueses europeus viram na intervenção da Rússia a única salvação perante o proletariado que precisamente só então começava a despertar. O tsar16 foi proclamado chefe da reação europeia. Hoje é prisioneiro de guerra da revolução, em Gátchina17, e a Rússia forma a vanguarda da ação revolucionária na Europa.
O Manifesto Comunista tinha por tarefa proclamar a inevitavelmente iminente dissolução da propriedade burguesa moderna. Mas na Rússia encontramos, face à trapaça capitalista em rápido florescimento e à propriedade fundiária burguesa que precisamente só agora se começa a desenvolver, mais de metade do solo na posse comum dos camponeses. Pergunta-se agora: poderá a Obchtchina russa18 - uma forma, ainda que fortemente minada, da antiquíssima posse comum do solo - transitar imediatamente para a [forma] superior da posse comum comunista? Ou, inversamente, terá de passar primeiro pelo mesmo processo de dissolução que constitui o desenvolvimento histórico do Ocidente?
A única resposta a isto que hoje em dia é possível é esta: se a revolução russa se tornar o sinal de uma revolução proletária no Ocidente, de tal modo que ambas se completem, a atual propriedade comum russa do solo pode servir de ponto de partida de um desenvolvimento comunista.
London, 21 de Janeiro de 1882. Karl Marx, F. Engels
Prefácio à Edição Alemã de 188319
Tenho, infelizmente, de assinar sozinho o prefácio à presente edição. Marx, o homem a quem toda a classe operária da Europa e da América deve mais do que a qualquer outro, Marx repousa no cemitério de Highgate, e sobre o seu túmulo cresce já a primeira erva20. Depois da sua morte já não se pode mais falar de uma refundição ou complemento do Manifesto. Pelo que considero tanto mais preciso afirmar aqui de novo, expressamente, o seguinte:
O pensamento fundamental que percorre o Manifesto: que a produção econômica, e a articulação social que dela com necessidade decorre, de qualquer época histórica forma a base da história política e intelectual dessa época; que, consequentemente, toda a história (desde a dissolução da antiquíssima posse comum do solo) tem sido uma história de lutas de classes, lutas entre classes exploradas e exploradoras, dominadas e dominantes, em diversos estádios do desenvolvimento social; que esta luta, porém, atingiu agora um estádio em que a classe explorada e oprimida (o proletariado) já não se pode libertar da classe exploradora e opressora (a burguesia) sem simultaneamente libertar para sempre a sociedade toda da exploração, da opressão e das lutas de classes - este pensamento fundamental pertence única e exclusivamente a Marx21.
Já afirmei isto muitas vezes; mas é necessário, precisamente agora, que esta afirmação preceda o próprio Manifesto.
London, 28 de Junho de 1883. F. Engels
Prefácio à Edição Inglesa de 188822
O Manifesto foi publicado como plataforma da Liga dos Comunistas, uma associação de operários primeiro exclusivamente alemã e mais tarde internacional, e nas condições políticas do Continente anteriores a 1848 inevitavelmente uma sociedade secreta. Num Congresso da Liga, realizado em Londres em Novembro de 1847, Marx e Engels foram encarregados de preparar para publicação um programa prático e teórico completo do partido. Redigido em Alemão, em Janeiro de 1848, o manuscrito foi enviado para o impressor em Londres umas semanas antes da revolução francesa de 24 de Fevereiro. Uma tradução francesa saiu em Paris pouco antes da insurreição de Junho de 1848. A primeira tradução inglesa, de Miss Helen Macfarlane, apareceu no Red Republican, de George Julian Harney, Londres, 1850. Tinham também sido publicadas uma edição dinamarquesa e uma polonesa.
A derrota da insurreição parisiense de Junho de 1848 - a primeira grande batalha entre Proletariado e Burguesia - empurrou de novo para plano recuado, durante algum tempo, as aspirações políticas e sociais da classe operária europeia. A partir daí a luta pela supremacia voltou a travar-se, como antes da revolução de Fevereiro, apenas entre setores diferentes da classe possidente; a classe operária ficou reduzida a um combate pelo espaço de manobra político, e à posição de ala extrema dos Radicais da classe média. Onde quer que continuassem a dar sinais de vida, os movimentos proletários independentes eram implacavelmente perseguidos e esmagados. Foi assim que a polícia prussiana conseguiu descobrir o Comitê Central da Liga dos Comunistas, então sediado em Colônia. Os seus membros foram detidos e, depois de dezoito meses de prisão, foram a tribunal em Outubro de 1852. Este celebrado “julgamento dos Comunistas de Colônia” durou de 4 de Outubro até 12 de Novembro; sete dos prisioneiros foram condenados a penas de cadeia numa fortaleza que variaram entre os três e os seis anos23. Imediatamente após a condenação a Liga foi formalmente dissolvida pelos membros restantes. Quanto ao Manifesto, parecia desde então condenado ao esquecimento.
Quando a classe operária europeia recuperou a força suficiente para um novo ataque às classes dominantes surgiu a Associação Internacional dos Trabalhadores24. Mas esta associação, formada com o objetivo expresso de fundir num só corpo todo o proletariado militante da Europa e da América, não pôde proclamar logo os princípios formulados no Manifesto. A Internacional foi obrigada a ter um programa suficientemente amplo para ser aceitável pelas Trades Unions inglesas, pelos seguidores de Proudhon na França, na Bélgica, na Itália e na Espanha, e pelos lassalleanos25 na Alemanha. Marx, que redigiu este programa a contento de todos, confiava inteiramente no desenvolvimento intelectual da classe operária que seguramente resultaria da ação combinada e da discussão mútua. Os próprios acontecimentos e vicissitudes da luta contra o capital, e as derrotas ainda mais do que as vitórias, não podiam deixar de convencer os homens da insuficiência das suas várias panaceias favoritas e de preparar o caminho para uma inteligência mais completa das verdadeiras condições de emancipação da classe operária. E Marx tinha razão. A Internacional deixou os operários, ao dissolver-se em 187426, homens muito diferentes do que os tinha encontrado em 1864. O proudhonismo na França e o lassalleanismo na Alemanha estavam a morrer, e mesmo as Trades Unions inglesas, conservadoras, embora a maior parte delas tivesse desde há muito cortado a sua ligação com a Internacional, iam avançando gradualmente para o ponto em que foi possível o seu Presidente dizer o ano passado, em Swansea, em nome deles, que “o Socialismo continental deixou de nos meter medo” 27. De fato, os princípios do Manifesto tinham operado um progresso considerável entre os operários de todos os países.
E deste modo o próprio Manifesto voltou à frente de batalha. O texto alemão tinha sido reimpresso várias vezes na Suíça, na Inglaterra e na América, desde 1850. Em 1872 foi traduzido para inglês em Nova Iorque, onde foi publicado no Woodhull and Claflin’s Weekly. Desta versão inglesa foi feita uma francesa em Le Socialiste de Nova Iorque. De então para cá saíram na América pelo menos mais duas traduções inglesas, mais ou menos mutiladas, e uma delas foi reimpressa em Inglaterra. A primeira tradução russa, feita por Bakunin, foi publicada em Genebra, por volta de 1863, na tipografia do Kolokol de Herzen; uma segunda tradução, da heroica Vera Zassúlitch, [saiu] também em Genebra, em 1882. Há uma nova edição dinamarquesa na Social-demokratisk Bibliotek, Copenhague, 188528; uma nova tradução francesa em Le Socialiste, Paris, 188529. Desta última foi preparada e publicada uma versão espanhola em Madrid, 188630. Não contando com as reimpressões alemãs, houve pelo menos doze edições. Uma tradução armênia que estava para ser publicada em Constantinopla há alguns meses não viu a luz do dia, segundo me dizem, porque o editor teve medo de fazer sair um livro com o nome de Marx e o tradutor declinou chamar-lhe uma
produção sua. Tenho ouvido falar de outras traduções em outras línguas, mas não as vi. Assim, a história do Manifesto reflete em grande medida a história do movimento operário moderno: presentemente é sem dúvida a produção mais internacional e mais divulgada de toda a literatura socialista, plataforma comum reconhecida por milhões de operários desde a Sibéria à Califórnia.
Contudo, quando foi escrito não lhe podíamos ter chamado um Manifesto Socialista. Em 1847 entendia-se por socialistas, de um lado, os aderentes aos vários sistemas utópicos - owenistas em Inglaterra, fourieristas em França, já reduzidos ambos à condição de meras seitas, e que estavam a morrer gradualmente; do outro lado, os mais variados charlatães sociais, que por toda a espécie de remendos pretendiam remediar, sem qualquer perigo para o capital e o lucro, todas as espécies de gravames sociais; [eram,] em ambos os casos, homens que estavam fora do movimento da classe operária e que procuravam apoio de preferência junto das classes “educadas”. Todo e qualquer setor da classe operária que se tivesse convencido da insuficiência de meras revoluções políticas e tivesse proclamado a necessidade de uma mudança social total, esse setor chamava-se a si próprio comunista. Era um tipo de comunismo puramente instintivo, tosco, cru; mas já punha o dedo na chaga e teve a força bastante entre a classe operária para produzir em França o comunismo utópico de Cabet, e na Alemanha o de Weitling. Assim, em 1847, o socialismo era um movimento da classe média, e o comunismo um movimento da classe operária. O socialismo era, pelo menos no Continente, “respeitável”; o comunismo era precisamente o oposto. E como a ideia que tínhamos desde o princípio era de que “a emancipação da classe operária tem de ser obra da própria classe operária”31, não podia haver dúvidas sobre qual dos dois nomes tínhamos de adotar. E o que é mais: estamos, e sempre estivemos, longe de o repudiar.
Embora o Manifesto seja nossa produção conjunta, considero-me obrigado a declarar que a proposição fundamental que forma o seu núcleo pertence a Marx. Essa proposição é: que, em qualquer época histórica, o modo predominante da produção econômica e da troca, e a organização social que dele necessariamente decorre, formam a base sobre a qual se constrói, e só a partir da qual pode ser explicada, a história intelectual e política dessa época; que, consequentemente, toda a história da humanidade (desde a dissolução da sociedade tribal primitiva, detendo a terra em posse comum) tem sido uma história de lutas de classes, de conflitos entre classes exploradoras e exploradas, entre classes dominantes e oprimidas; que a história destas lutas de classes forma uma série de evoluções na qual se alcançou hoje um estádio em que a classe oprimida e explorada - o proletariado - não pode atingir a sua emancipação do jugo da classe dominante e exploradora - a burguesia - sem emancipar, ao mesmo tempo e de uma vez por todas, toda a sociedade de qualquer exploração e opressão, de quaisquer distinções de classes e lutas de classes.
Já alguns anos antes de 1845 estávamos ambos a aproximar-nos gradualmente desta proposição que, na minha opinião, está destinada a fazer pela história o que a teoria de Darwin fez pela biologia. Até que ponto eu tinha progredido independentemente em direção a ela é a minha Situação da Classe Operária em Inglaterra32 que melhor o mostra. Mas quando voltei a encontrar Marx, em Bruxelas, na primavera de 1845, já ele a tinha formulada e apresentou-ma em termos quase tão claros como aqueles em que aqui a expus.
Do nosso prefácio comum à edição alemã de 1872 cito o seguinte:
[Engels transcreve aqui o segundo parágrafo e a primeira frase do terceiro do referido prefácio. Depois conclui:]
A presente tradução é do Sr. Samuel Moore, o tradutor da maior parte do Capital, de Marx. Revimo-la em comum, e eu acrescentei algumas notas explicativas de alusões históricas.
London, 30 de Janeiro de 1888. Frederick Engels
Prefácio à Edição Alemã de 189033
Desde que o acabado de mencionar34 foi escrito, voltou a ser precisa uma nova edição alemã do Manifesto, e passaram-se também muitas coisas com o Manifesto que há que referir aqui.
Uma segunda tradução russa - de Vera Zassúlitch - apareceu em 1882, em Genebra; o prefácio para ela foi redigido por Marx e por mim. Infelizmente, perdi o manuscrito original alemão; tenho, portanto, que retraduzir do russo, com o que o trabalho não ganha nada35.
Diz assim:
“A primeira edição russa do Manifesto do Partido Comunista, em tradução de Bakunin, apareceu no começo dos anos 60 na tipografia do Kolokol. Naquela altura, uma edição russa deste escrito tinha, para o Ocidente, quando muito, o significado de uma curiosidade literária. Hoje, uma semelhante concepção não é mais possível. Como era limitado o âmbito que o habitat do movimento proletário tinha ao tempo da primeira publicação do Manifesto (Janeiro de 1848) - mostra-o da melhor maneira o [seu] último capítulo:”Posição dos comunistas para com os diversos partidos oposicionistas”. Faltam aí, antes de tudo, a Rússia e os Estados Unidos. Era o tempo em que a Rússia formava a última grande reserva da reação europeia e em que a emigração para os Estados Unidos absorvia as forças excedentárias do proletariado europeu. Ambos os países abasteciam a Europa de matérias-primas e serviam, simultaneamente, de mercados de escoamento para os seus produtos industriais. Ambos apareciam, portanto, desta ou daquela maneira, como suportes da ordem social europeia.
Hoje, como tudo isso mudou! Precisamente a emigração europeia possibilitou o desenvolvimento colossal da agricultura norte-americana, o qual, pela concorrência, abalou nos seus alicerces tanto a grande como a pequena propriedade fundiária na Europa. Deu simultaneamente aos Estados Unidos a possibilidade de encetar a exploração dos seus abundantes recursos industriais, e, decerto, com tanta energia, e em tal escala, que, num curto [espaço de] tempo, isso teve que pôr fim ao monopólio industrial do Ocidente europeu. E estas duas circunstâncias reagiram também sobre a América numa direção revolucionária. A propriedade fundiária pequena e média do lavrador que trabalha para si - a base de toda a ordem política da América - sofreu cada vez mais a concorrência dos lavradores-gigantes, enquanto, simultaneamente, se formava pela primeira vez, nos distritos industriais, um proletariado numeroso, a par de uma fabulosa concentração dos capitais.
Passemos à Rússia. Ao tempo da revolução de 1848-49, não só os monarcas europeus mas também os burgueses europeus viam na intervenção russa a única salvação perante o proletariado que só então se começava a aperceber das suas forças. Proclamaram o tsar chefe da reação europeia. Hoje, ele fica sentado em Gátchina como prisioneiro de guerra da revolução, e a Rússia forma a vanguarda do movimento revolucionário da Europa.
A tarefa do Manifesto Comunista era a proclamação do declínio inevitavelmente iminente da propriedade burguesa hodierna. Na Rússia, porém, nós encontramos - a par da ordem capitalista que se desenvolve com [uma] pressa febril e da propriedade fundiária burguesa que só agora se começa a formar - mais de metade do solo na propriedade comum dos camponeses.
Pergunta-se, então: pode a comuna de camponeses russa - essa forma, sem dúvida, já muito desagregada da originária propriedade comum do solo - transitar imediatamente para uma forma comunista superior da propriedade fundiária, ou tem ela, antes, que passar pelo mesmo processo de dissolução que no desenvolvimento histórico do Ocidente se exibe?
A única resposta hoje possível para esta pergunta é a seguinte. Se a revolução russa se tornar o sinal para uma revolução operária no Ocidente, de tal modo que ambas se completem, então, a propriedade comum russa hodierna pode servir de ponto de partida para um desenvolvimento comunista.
Londres, 21 de Janeiro de 1882.”
Uma nova tradução polonesa apareceu, por esse tempo, em Genebra: Manifest Komunistyczny36.
Mais tarde, apareceu uma nova tradução dinamarquesa na Socialdemokratisk Bibliotek, Copenhague, 1885. Infelizmente, ela não é inteiramente completa; algumas passagens essenciais que parecem ter levantado dificuldades ao tradutor foram omitidas e, de resto, observam-se também, aqui e ali, vestígios de falta de cuidado que sobressaem tanto mais desagradavelmente quando se examina o trabalho quanto [é certo que] o tradutor, com um pouco mais de esmero, poderia ter realizado algo de excelente.
Em 1886, apareceu uma nova tradução francesa em Le Socialiste, de Paris; é a melhor aparecida até aqui.
A partir dela, foi, no mesmo ano, publicada uma versão espanhola, primeiro, em El Socialista de Madrid e, depois, como brochura: Manifiesto del Partido Comunista por Carlos Marx y F. Engels, Madrid, Administración de El Socialista, Hernán Cortés.
Como curiosidade, refiro ainda que, em 1887, foi oferecido a um editor de Constantinopla o manuscrito de uma tradução armênia; o bom do homem não teve contudo a coragem de publicar qualquer coisa que tinha à frente o nome de Marx e achou que seria melhor que o tradutor se declarasse ele próprio como autor, o que ele no entanto recusou.
Depois de ora uma ora outra das traduções americanas, mais ou menos incorretas, terem sido várias vezes reimpressas em Inglaterra, apareceu finalmente uma tradução autêntica no ano de 1888. É do meu amigo Samuel Moore, e foi mais uma vez revista por nós os dois em conjunto, antes da impressão. O título é: Manifesto of the Communist Party, by Karl Marx and Frederick
Engels. Authorized English Translation, edited and annotated by Frederick Engels, 1888, London, William Reeves, 185 Fleet St. E. C. Retomei algumas das notas desta edição na presente [edição].
O Manifesto tem tido uma carreira própria. Saudado entusiasticamente no momento do seu aparecimento pela vanguarda, então ainda pouco numerosa, do socialismo científico (como provam as traduções referidas no primeiro prefácio), foi em breve empurrado para segundo plano pela reação iniciada com a derrota dos operários de Paris em Junho de 1848 e, por fim, declarado proscrito e banido “segundo a lei” pela condenação dos Comunistas de Colônia, em Novembro de 1852. Com o desaparecimento da cena pública do movimento operário que datava da revolução de Fevereiro passou também o Manifesto para segundo plano.
Quando a classe operária europeia se fortaleceu de novo suficientemente para uma nova arremetida contra o poder das classes dominantes surgiu a Associação Internacional dos Trabalhadores. Tinha por finalidade fundir todo o operariado militante da Europa e da América num único grande corpo de exército. Não podia, por isso, partir dos princípios consignados no Manifesto. Tinha de ter um programa que não fechasse a porta às Trades Unions inglesas, nem aos proudhonianos franceses, belgas, italianos e espanhóis, nem aos lassalleanos37 alemães. Este programa - os considerandos para os Estatutos da Internacional - foi traçado por Marx com uma mestria que até Bakunin e os anarquistas reconheceram. Para a vitória final dos princípios apresentados no Manifesto Marx confiava única e exclusivamente no desenvolvimento intelectual da classe operária, tal como este tinha necessariamente de resultar da unidade de ação e da discussão. Os acontecimentos e as vicissitudes da luta contra o capital, e ainda mais as derrotas do que os êxitos, não podiam deixar de mostrar claramente aos combatentes a insuficiência das panaceias em que até aí criam e de lhes tornar as cabeças mais receptivas a uma profunda inteligência das verdadeiras condições da emancipação dos operários. E Marx tinha razão. A classe operária de 1874, quando da dissolução da Internacional, era completamente diferente da de 1864, quando da sua fundação. O proudhonismo, nos países românicos, o lassalleanismo específico na Alemanha, estavam moribundos, e mesmo as Trades Unions inglesas, então profundamente conservadoras, caminhavam gradualmente para o ponto em que foi possível o presidente do seu congresso de Swansea, em 1887, afirmar em nome deles: “O socialismo continental deixou de nos meter medo” 38. O socialismo continental que, porém, já em 1887 era quase só a teoria proclamada no Manifesto. E assim a história do Manifesto reflete até um certo grau a história do movimento operário moderno desde 1848. Presentemente ele é sem dúvida o produto mais amplamente divulgado, mais internacional, de toda a literatura socialista, o programa comum de muitos milhões de operários de todos os países desde a Sibéria à Califórnia.
E, contudo, quando ele apareceu, não lhe poderíamos ter chamado um manifesto socialista. Em 1847 entendia-se por socialistas duas espécies de pessoas. De um lado, os seguidores dos diversos sistemas utopistas, em especial os owenistas em Inglaterra e os fourieristas em França, ambos os quais já então estavam reduzidos a meras seitas moribundas. De outro lado, os mais variados charlatães sociais, que com as suas diversas panaceias e com toda a espécie de remendos queriam eliminar os males sociais sem magoar minimamente o capital e o lucro. Em ambos os casos: pessoas que estavam fora do movimento operário e que, ao invés, procuravam apoio junto das classes “cultas”. Em contrapartida, aquela parte dos operários que estava convencida da insuficiência de meros revolucionamentos políticos, [e] exigia uma reconfiguração profunda da sociedade, essa parte chamava-se então comunista. Era apenas um comunismo apenas mal desbastado, apenas instintivo, por vezes algo grosseiro; mas era suficientemente poderoso para
engendrar dois sistemas do comunismo utópico, em França o “icário” de Cabet, na Alemanha o de Weitling. Em 1847, socialismo significava um movimento burguês, comunismo um movimento operário. O socialismo, pelo menos no Continente, era apresentável, o comunismo era precisamente o contrário. E como já nessa altura éramos muito decididamente da opinião de que “a emancipação dos operários tem de ser obra da própria classe operária”, nem por um instante podíamos estar na dúvida sobre qual dos dois nomes escolher. E desde então nunca nos passou pela cabeça rejeitá-lo.
“Proletários de todos os países, uni-vos!”. Só poucas vozes responderam quando gritamos ao mundo estas palavras, faz agora 42 anos, nas vésperas da primeira revolução de Paris na qual o proletariado avançou com reivindicações próprias. Mas a 28 de Setembro de 1864 uniam-se proletários da maioria dos países da Europa ocidental na Associação Internacional dos Trabalhadores, de gloriosa memória. É certo que a própria Internacional só viveu nove anos. Mas que está ainda viva a eterna união dos proletários de todos os países por ela fundada, e mais pujante do que nunca, disso não há melhor testemunho do que precisamente o dia de hoje. Porque hoje39, dia em que escrevo estas linhas, o proletariado europeu e americano passa revista às suas forças de combate mobilizadas pela primeira vez, mobilizadas num único exército, sob uma única bandeira e para um objetivo próximo: o dia normal de oito horas de trabalho, a estabelecer por lei, que já o Congresso de Genebra da Internacional em 186640 e de novo o Congresso Operário de Paris de 188941 haviam proclamado. E o espetáculo do dia de hoje abrirá os olhos aos capitalistas e aos senhores fundiários de todos os países para que hoje os proletários de todos os países estão de fato unidos.
Pudesse Marx estar ainda ao meu lado, para ver isto com os próprios olhos!
London, 1 de Maio de 1890. F. Engels
Prefácio à (terceira) Edição Polonesa de 189242
O fato de se ter tornado necessária uma nova edição polonesa do Manifesto Comunista dá ensejo a várias considerações.
Primeiro, é digno de nota que o Manifesto, recentemente, se tenha, em certa medida, tornado um barômetro do desenvolvimento da grande indústria no continente europeu. Na medida em que se expande num país a grande indústria, cresce também na mesma medida entre os operários desse país a ânsia de esclarecimento sobre a sua posição como classe operária face às classes possidentes, alarga-se entre eles o movimento socialista e aumenta a procura do Manifesto. De modo que não só o estado do movimento operário, mas também o grau de desenvolvimento da grande indústria, se podem medir com bastante exatidão em todos os países pelo número de exemplares do Manifesto que circulam na língua de cada país.
Assim, a nova edição polonesa indica um progresso decidido da indústria polonesa. E que este progresso teve lugar na realidade, desde a última edição publicada há dez anos, disso não pode
haver dúvidas. A Polônia russa, a Polônia do Congresso [de Viena]43, tornou-se o grande distrito industrial do Império Russo. Ao passo que a grande indústria russa está esporadicamente dispersa - uma parte junto do golfo da Finlândia, outra parte no centro (Moscovo e Vladímir), uma terceira nas costas do mar Negro e do mar de Azov, e outras ainda repartidas por outras zonas -, a polonesa está concentrada num espaço relativamente pequeno e desfruta das vantagens e das desvantagens resultantes desta concentração. As vantagens reconheceram-nas os fabricantes russos seus concorrentes, quando reclamaram proteção alfandegária contra a Polônia, apesar do seu ardente desejo de transformar os Polacos em Russos. As desvantagens - para os fabricantes polacos e para o governo russo revelam-se na rápida difusão de ideias socialistas entre os operários polacos e na crescente procura do Manifesto.
Mas o rápido desenvolvimento da indústria polonesa, que deixa para trás a russa, é pelo seu lado uma nova prova de vitalidade inesgotável do povo polaco e uma nova garantia da sua iminente restauração nacional. A restauração de uma Polônia forte e independente, porém, é uma causa que não diz respeito só aos Polacos - diz-nos respeito a todos. Uma colaboração internacional sincera das nações europeias só é possível se cada uma destas nações for, em sua casa, perfeitamente autônoma. A revolução de 1848, que, sob a bandeira proletária, acabou por apenas deixar que os combatentes proletários fizessem o trabalho da burguesia, também impôs a independência da Itália, da Alemanha e da Hungria, por meio dos seus executores testamentários, Louis Bonaparte e Bismarck; mas a Polônia, que desde 1792 fez mais pela revolução do que estas três juntas, a Polônia deixaram-na entregue a si própria quando em 186344 sucumbiu ao poderio russo, que lhe era dez vezes superior. A nobreza não pôde manter nem reconquistar a independência da Polônia; para a burguesia esta é, hoje, pelo menos indiferente. E, contudo, é uma necessidade para a cooperação harmoniosa das nações europeias45.
Só o jovem proletariado polonês a pode conquistar, e nas suas mãos ela está bem preservada. Pois os operários de todo o resto da Europa precisam tanto da independência da Polônia como os próprios operários polacos.
London, 10 de Fevereiro de 1892. F. Engels
Prefácio à Edição Italiana de 1893
Ao leitor italiano46
A publicação do Manifesto do Partido Comunista coincidiu quase com o 18 de Março de 1848, o dia das revoluções de Milão e Berlim, as quais foram levantamentos armados das duas nações ocupando o centro uma do continente, a outra do Mediterrâneo; duas nações até então enfraquecidas pela divisão e pela discórdia no interior, e que por conseguinte passaram à dominação estrangeira. Se a Itália estava submetida ao imperador da Áustria, a Alemanha sofria o jugo, indireto mas não menos efetivo, do tsar de todas as Rússias. As consequências de 18 de
Março de 1848 livraram tanto a Itália como a Alemanha desta vergonha; se, de 1848 a 1871, estas duas grandes nações foram reconstituídas e de certo modo devolvidas a si próprias, foi, como Karl Marx dizia, porque os homens que abateram a revolução de 1848 foram, malgrado seu, os seus executores testamentários.
Por toda a parte a revolução de então foi obra da classe operária; foi esta que levantou as barricadas e que pagou com a vida. Mas só os operários de Paris tinham a intenção bem determinada de, derrubando o governo, derrubarem o regime da burguesia47.
Mas, por profundamente conscientes que estivessem do antagonismo fatal que existia entre a classe deles e a burguesia, nem o progresso econômico do país nem o desenvolvimento intelectual das massas operárias francesas tinham atingido o grau que teria tornado possível uma reconstrução social. Em última análise, portanto, os frutos da revolução foram colhidos pela classe capitalista. Nos outros países - na Itália, na Alemanha, na Áustria, na Hungria -, os operários, de começo, mais não fizeram do que levar ao poder a burguesia. Mas num país o reino da burguesia é impossível48 sem a independência nacional49. Por isso, a revolução de 1848 tinha de arrastar consigo a unidade e a autonomia das nações que até então lhes faltara - da Itália, da Hungria, da Alemanha. A da Polônia seguir-se-á por sua vez.
Portanto, se a revolução de 1848 não foi uma revolução socialista, aplanou o caminho, preparou o solo para esta última. Com o impulso dado em todos os países à grande indústria, o regime burguês tem criado por toda a parte, nos últimos quarenta e cinco anos, um proletariado numeroso, concentrado e forte. Criou assim, segundo a expressão do Manifesto, os seus próprios coveiros. Sem a sua autonomia e unidade restituídas a cada nação europeia, nem a união internacional do proletariado nem a cooperação pacífica e inteligente destas nações para fins comuns poderiam consumar-se. Imaginem uma ação internacional e comum dos operários italianos, húngaros, alemães, polacos, russos nas condições políticas de antes de 1848!
Assim, as batalhas de 1848 não foram travadas em vão; os quarenta e cinco anos que nos separam dessa etapa revolucionária também não foram para nada. Os frutos amadurecem, e tudo o que eu desejo é que a publicação desta tradução italiana do Manifesto seja de tão bom augúrio para a vitória do proletariado italiano como a publicação do original o foi para a revolução internacional.
O Manifesto Comunista presta plena justiça à ação revolucionária do capitalismo no passado. A primeira nação capitalista foi a Itália. O termo da Idade Média feudal, o limiar da era capitalista moderna, está assinalado por uma figura colossal50. É um italiano - Dante, ao mesmo tempo o último poeta da Idade Média e o primeiro poeta moderno. Hoje, como em 1300, uma nova era histórica se destaca. Produzir-nos-á a Itália o novo Dante que assinalará a hora do nascimento desta era proletária?
London, 1 de Fevereiro de 1893. Friedrich Engels
MANIFESTO DO PARTIDO COMUNISTA
Anda um espectro pela Europa - o espectro do Comunismo. Todos os poderes da velha Europa se aliaram para uma santa caçada a este espectro, o papa e o tsar, Metternich e Guizot, radicais franceses e polícias alemães.
Onde está o partido de oposição que não tivesse sido vilipendiado pelos seus adversários no governo como comunista, onde está o partido de oposição que não tivesse arremessado de volta, tanto contra os oposicionistas mais progressistas como contra os seus adversários reacionários, a recriminação estigmatizante do comunismo?
Deste fato concluem-se duas coisas. O comunismo já é reconhecido por todos os poderes europeus como um poder. Já é tempo de os comunistas exporem abertamente perante o mundo inteiro o seu modo de ver, os seus objetivos, as suas tendências, e de contraporem às lendas51 do espectro do comunismo um Manifesto do próprio partido.
Com este objetivo reuniram-se em Londres comunistas das mais diversas nacionalidades e delinearam o Manifesto seguinte, que é publicado em inglês, francês, alemão, italiano, flamengo e dinamarquês52.
I - Burgueses e Proletários53
A história de toda a sociedade até aqui é a história de lutas de classes54.
[Homem] livre e escravo, patrício e plebeu, barão e servo, burgueses de corporação55 e oficial, em suma, opressores e oprimidos, estiveram em constante oposição uns aos outros, travaram uma luta ininterrupta, ora oculta ora aberta, uma luta que de cada vez acabou por uma reconfiguração revolucionária de toda a sociedade ou pelo declínio comum das classes em luta.
Nas anteriores épocas da história encontramos quase por toda a parte uma articulação completa da sociedade em diversos estados [ou ordens sociais], uma múltipla gradação das posições sociais. Na Roma antiga temos patrícios, cavaleiros, plebeus, escravos; na Idade Média: senhores feudais, vassalos, burgueses de corporação, oficiais, servos, e ainda por cima, quase em cada uma destas classes, de novo gradações particulares.
A moderna sociedade burguesa, saída do declínio da sociedade feudal, não aboliu as oposições de classes. Apenas pôs novas classes, novas condições de opressão, novas configurações de luta, no lugar das antigas.
A nossa época, a época da burguesia, distingue-se, contudo, por ter simplificado as oposições de classes. A sociedade toda cinde-se, cada vez mais, em dois grandes campos inimigos, em duas grandes classes que diretamente se enfrentam: burguesia e proletariado.
Dos servos da Idade Média saíram os Pfahlbürger56 das primeiras cidades; desta Pfahlbürgerschaft desenvolveram-se os primeiros elementos da burguesia.
O descobrimento da América, a circunavegação da África, criaram um novo terreno para a burguesia ascendente. O mercado das Índias orientais e da China, a colonização da América, o intercâmbio com as colônias, a multiplicação dos meios de troca e das mercadorias em geral deram ao comércio, à navegação, à indústria, um surto nunca até então conhecido, e, com ele, um rápido desenvolvimento ao elemento revolucionário na sociedade feudal em desmoronamento.
O modo de funcionamento até aí feudal ou corporativo da indústria já não chegava para a procura que crescia com [os]57 novos mercados. Substituiu-a a manufatura. Os mestres de corporação foram desalojados pelo estado médio industrial; a divisão do trabalho entre as diversas corporações desapareceu ante a divisão do trabalho na própria oficina singular.
Mas os mercados continuavam a crescer, a procura continuava a subir. Também a manufatura já não chegava mais. Então o vapor e a maquinaria revolucionaram a produção industrial. Para o lugar da manufatura entrou a grande indústria moderna; para o lugar do estado médio industrial entraram os milionários industriais, os chefes de exércitos industriais inteiros, os burgueses modernos58.
A grande indústria estabeleceu o mercado mundial que o descobrimento da América preparara. O mercado mundial deu ao comércio, à navegação, às comunicações por terra, um desenvolvimento imensurável. Este, por sua vez, reagiu sobre a extensão da indústria, e na mesma medida em que a indústria, o comércio, a navegação, os caminhos-de-ferro se estenderam, desenvolveu-se a burguesia, multiplicou os seus capitais, empurrou todas as classes transmitidas da Idade Média para segundo plano.
Vemos, pois, como a burguesia moderna é ela própria o produto de um longo curso de desenvolvimento, de uma série de revolucionamentos no modo de produção e de intercâmbio.
Cada um destes estádios de desenvolvimento da burguesia foi acompanhado de um correspondente progresso político. Estado [ou ordem social] oprimido sob a dominação dos senhores feudais, associação59 armada e auto-administrada na comuna60, aqui cidade-república independente61, além
terceiro-estado na monarquia sujeito a impostos62, depois ao tempo da manufatura contrapeso contra a nobreza na monarquia de estados [ou ordens sociais] ou na absoluta63, base principal das grandes monarquias em geral - ela conquistou por fim, desde o estabelecimento da grande indústria e do mercado mundial, a dominação política exclusiva no moderno Estado representativo. O moderno poder de Estado é apenas uma comissão que administra os negócios comunitários de toda a classe burguesa.
A burguesia desempenhou na história um papel altamente revolucionário.
A burguesia, lá onde chegou à dominação, destruiu todas as relações feudais, patriarcais, idílicas. Rasgou sem misericórdia todos os variegados laços feudais que prendiam o homem aos seus superiores naturais e não deixou outro laço entre homem e homem que não o do interesse nu, o do insensível “pagamento a pronto”. Afogou o frêmito sagrado da exaltação pia, do entusiasmo cavalheiresco, da melancolia pequeno-burguesa, na água gelada do cálculo egoísta. Resolveu a dignidade pessoal no valor de troca, e no lugar das inúmeras liberdades bem adquiridas e certificadas pôs a liberdade única, sem escrúpulos, de comércio. Numa palavra, no lugar da exploração encoberta com ilusões políticas e religiosas, pôs a exploração seca, direta, despudorada, aberta.
A burguesia despiu da sua aparência sagrada todas as atividades até aqui veneráveis e consideradas com pia reverência. Transformou o médico, o jurista, o padre, o poeta, o homem de ciência em trabalhadores assalariados pagos por ela.
A burguesia arrancou à relação familiar o seu comovente véu sentimental e reduziu-a a uma pura relação de dinheiro.
A burguesia pôs a descoberto como a brutal exteriorização de força, que a reação tanto admira na Idade Média, tinha na mais indolente mandriice o seu complemento adequado. Foi ela quem primeiro demonstrou o que a atividade dos homens pode conseguir. Realizou maravilhas completamente diferentes das pirâmides egípcias, dos aquedutos romanos e das catedrais góticas, levou a cabo expedições completamente diferentes das antigas migrações de povos e das cruzadas64.
A burguesia não pode existir sem revolucionar permanentemente os instrumentos de produção, portanto as relações de produção, portanto as relações sociais todas. A conservação inalterada do antigo modo de produção era, pelo contrário, a condição primeira de existência de todas as anteriores classes industriais. O permanente revolucionamento da produção, o ininterrupto abalo de todas as condições sociais, a incerteza e o movimento eternos distinguem a época da burguesia de todas as outras. Todas as relações fixas e enferrujadas, com o seu cortejo de vetustas representações e intuições, são dissolvidas, todas as recém formadas envelhecem antes de poderem ossificar-se. Tudo o que era dos estados [ou ordens sociais] e estável se volatiliza, tudo o que era sagrado é dessagrado, e os homens são por fim obrigados a encarar com olhos prosaicos a sua posição na vida, as suas ligações recíprocas.
A necessidade de um escoamento sempre mais extenso para os seus produtos persegue a burguesia por todo o globo terrestre. Tem de se implantar em toda a parte, instalar-se em toda a parte, estabelecer contatos em toda a parte.
A burguesia, pela65 sua exploração do mercado mundial, configurou de um modo cosmopolita a produção e o consumo de todos os países. Para grande pesar dos reacionários, tirou à indústria o solo nacional onde firmava os pés. As antiquíssimas indústrias nacionais foram aniquiladas, e são ainda diariamente aniquiladas. São desalojadas por novas indústrias cuja introdução se torna uma questão vital para todas as nações civilizadas, por indústrias que já não laboram matérias-primas nativas, mas matérias-primas oriundas das zonas mais afastadas, e cujos fabricos são consumidos não só no próprio país como simultaneamente em todas as partes do mundo. Para o lugar das velhas necessidades, satisfeitas por artigos do país, entram [necessidades] novas que exigem para a sua satisfação os produtos dos países e dos climas mais longínquos. Para o lugar da velha auto-suficiência e do velho isolamento locais e nacionais, entram um intercâmbio omnilateral, uma dependência das nações umas das outras. E tal como na produção material, assim também na produção espiritual. Os artigos espirituais das nações singulares tornam-se bem comum. A unilateralidade e estreiteza nacionais tornam-se cada vez mais impossíveis, e das muitas literaturas nacionais e locais forma-se uma literatura mundial.
A burguesia, pelo rápido melhoramento de todos os instrumentos de produção, pelas comunicações infinitamente facilitadas, arrasta todas as nações, mesmo as mais bárbaras, para a civilização. Os preços baratos das suas mercadorias são a artilharia pesada com que deita por terra todas as muralhas da China, com que força à capitulação o mais obstinado ódio dos bárbaros ao estrangeiro. Compele todas as nações a apropriarem o modo de produção da burguesia, se não quiserem arruinar-se; compele-as a introduzirem no seu seio a chamada civilização, i. é, a tornarem-se burguesas. Numa palavra, ela cria para si um mundo à sua própria imagem.
A burguesia submeteu o campo à dominação da cidade. Criou cidades enormes, aumentou num grau elevado o número da população urbana face à rural, e deste modo arrancou uma parte significativa da população à idiotia da vida rural. Assim como tornou dependente o campo da cidade, [tornou dependentes] os países bárbaros e semibárbaros dos civilizados, os povos agrícolas dos povos burgueses, o Oriente do Ocidente.
A burguesia suprime cada vez mais a dispersão dos meios de produção, da propriedade e da população. Aglomerou a população, centralizou os meios de produção e concentrou a propriedade em poucas mãos. A consequência necessária disto foi a centralização política. Províncias independentes, quase somente aliadas, com interesses, leis, governos e direitos alfandegários diversos, foram comprimidas numa nação, num governo, numa lei, num interesse nacional de classe, numa linha aduaneira.
A burguesia, na sua dominação de classe de um escasso século, criou forças de produção mais massivas e mais colossais do que todas as gerações passadas juntas. Subjugação das forças da Natureza, maquinaria, aplicação da química à indústria e à lavoura, navegação a vapor, caminhos-de-ferro, telégrafos elétricos, arroteamento de continentes inteiros, navegabilidade dos rios, populações inteiras feitas saltar do chão - que século anterior teve ao menos um pressentimento de que estas forças de produção estavam adormecidas no seio do trabalho social?
Vimos assim66 que: os meios de produção e de intercâmbio sobre cuja base se formou a burguesia foram gerados na sociedade feudal. Num certo estádio do desenvolvimento destes meios de produção e de intercâmbio, as relações em que a sociedade feudal produzia e trocava, a organização feudal da agricultura e da manufatura - numa palavra, as relações de propriedade feudais - deixaram de corresponder às forças produtivas já desenvolvidas. Tolhiam a produção, em vez de a fomentarem. Transformaram-se em outros tantos grilhões. Tinham de ser rompidas e foram rompidas.
Para o seu lugar entrou a livre concorrência, com a constituição social e política a ela adequada, com a dominação econômica e política da classe burguesa.
Um movimento semelhante processa-se diante dos nossos olhos. As relações burguesas de produção e de intercâmbio, as relações de propriedade burguesas, a sociedade burguesa moderna que desencadeou meios tão poderosos de produção e de intercâmbio, assemelha-se ao feiticeiro que já não consegue dominar as forças subterrâneas que invocara. De há decênios para cá, a história da indústria e do comércio é apenas a história da revolta das modernas forças produtivas contra as modernas relações de produção, contra as relações de propriedade que são as condições de vida da burguesia e da sua dominação. Basta mencionar as crises comerciais que, na sua recorrência periódica, põem em questão, cada vez mais ameaçadoramente, a existência de toda a sociedade burguesa. Nas crises comerciais é regularmente aniquilada uma grande parte não só dos produtos fabricados como67 das forças produtivas já criadas. Nas crises irrompe uma epidemia social que teria parecido um contra-senso a todas as épocas anteriores - a epidemia da sobreprodução. A sociedade vê-se de repente retransportada a um estado de momentânea barbárie; parece-lhe que uma fome, uma guerra de aniquilação universal68 lhe cortaram todos os meios de subsistência; a indústria, o comércio, parecem aniquilados. E porquê? Porque ela possui demasiada civilização, demasiados meios de vida, demasiada indústria, demasiado comércio. As forças produtivas que estão à sua disposição já não servem para promoção69 das relações de propriedade burguesas; pelo contrário, tornaram-se demasiado poderosas para estas relações, e são por elas tolhidas; e logo que triunfam deste tolhimento lançam na desordem toda a sociedade burguesa, põem em perigo a existência da propriedade burguesa. As relações burguesas tornaram-se demasiado estreitas para conterem a riqueza por elas gerada. E como triunfa a burguesia das crises? Por um lado, pela aniquilação forçada de uma massa de forças produtivas; por outro lado, pela conquista de novos mercados e pela exploração mais profunda dos70 antigos mercados. De que modo, então? Preparando crises mais omnilaterais e mais poderosas, e diminuindo os meios de prevenir as crises.
As armas com que a burguesia deitou por terra o feudalismo viram-se agora contra a própria burguesia.
Mas a burguesia não forjou apenas as armas que lhe trazem a morte; também gerou os homens que manejarão essas armas - os operários modernos, os proletários.
Na mesma medida em que a burguesia, i. é, o capital se desenvolve, nessa mesma medida desenvolve-se o proletariado, a classe dos operários modernos, os quais só vivem enquanto encontram trabalho e só encontram trabalho enquanto o seu trabalho aumenta o capital. Estes operários, que têm de se vender à peça, são uma mercadoria como qualquer outro artigo de
comércio, e estão, por isso, igualmente expostos a todas as vicissitudes da concorrência, a todas as oscilações do mercado.
O trabalho dos proletários perdeu, com a extensão da maquinaria e a divisão do trabalho, todo o caráter autônomo e, portanto, todos os atrativos para os operários71. Ele torna-se um mero acessório da máquina ao qual se exige apenas o manejo mais simples, mais monótono, mais fácil de aprender. Os custos que o operário ocasiona reduzem-se por isso quase só aos meios de vida de que carece para o seu sustento e para a reprodução da sua raça. O preço de uma mercadoria, portanto também do trabalho72 é, porém, igual aos seus custos de produção. Na mesma medida em que cresce a repugnância [causada] pelo trabalho decresce portanto o salário. Mais ainda: na mesma medida em que aumentam a maquinaria e a divisão do trabalho, na mesma medida sobe também a massa73 do trabalho, seja pelo acréscimo das horas de trabalho seja pelo acréscimo do trabalho exigido num tempo dado, pelo funcionamento acelerado das máquinas, etc.
A indústria moderna transformou a pequena oficina do mestre patriarcal na grande fábrica do capitalista industrial. Massas de operários, comprimidos na fábrica, são organizadas como soldados. São colocadas, como soldados rasos da indústria, sob a vigilância de uma hierarquia completa de oficiais subalternos e oficiais. Não são apenas servos da classe burguesa, do Estado burguês; dia a dia, hora a hora, são feitos servos da máquina, do vigilante, e sobretudo dos74 próprios burgueses fabricantes singulares. Este despotismo é tanto mais mesquinho, mais odioso, mais exasperante, quanto mais abertamente proclama ser o provento o seu75 objetivo.
Quanto menos habilidade e exteriorização de força o trabalho manual exige, i. é, quanto mais a indústria moderna se desenvolve, tanto mais o trabalho dos homens é desalojado pelo das mulheres76. Diferenças de sexo e de idade já não têm qualquer validade social para a classe operária. Há apenas instrumentos de trabalho que, segundo a idade e o sexo, têm custos diversos.
Se a exploração do operário pelo fabricante termina na medida em que recebe o seu salário pago de contado, logo lhe caem em cima as outras partes da burguesia: o senhorio, o merceeiro, o penhorista77, etc.
Os pequenos estados médios até aqui, os pequenos industriais, comerciantes e rentistas78, os artesãos e camponeses, todas estas classes caem no proletariado, em parte porque o seu pequeno capital não chega para o empreendimento da grande indústria e sucumbe à concorrência dos capitalistas maiores, em parte porque a sua habilidade é desvalorizada por novos modos de produção. Assim, o proletariado recruta-se de todas as classes da população.
O proletariado passa por diversos estádios de desenvolvimento. A sua luta contra a burguesia começa com a sua existência.
No começo são os operários singulares que lutam, depois os operários de uma fábrica, depois os operários de um ramo de trabalho numa localidade contra o burguês singular que os explora diretamente. Dirigem os seus ataques não só contra as relações de produção burguesas, dirigem-
nos contra os próprios instrumentos de produção; aniquilam as mercadorias estrangeiras concorrentes, destroçam as máquinas, deitam fogo às fábricas, procuram recuperar79 a posição desaparecida do operário medieval. Neste estádio os operários formam uma massa dispersa por todo o país e dividida pela concorrência. A coesão maciça dos operários não é ainda a consequência da sua própria união, mas a consequência da união da burguesia, a qual, para atingir os seus objetivos políticos próprios, tem de pôr em movimento o proletariado todo, e por enquanto ainda o pode. Neste estádio os proletários combatem, pois, não os seus inimigos, mas os inimigos dos seus inimigos, os restos da monarquia absoluta, os proprietários fundiários, os burgueses não industriais, os pequenos burgueses. Todo o movimento histórico está, assim, concentrado nas mãos da burguesia; cada vitória assim alcançada é uma vitória da burguesia.
Mas com o desenvolvimento da indústria o proletariado não apenas se multiplica; é comprimido em massas maiores, a sua força cresce, e ele sente-a mais. Os interesses, as situações de vida no interior do proletariado tornam-se cada vez mais semelhantes, na medida em que a maquinaria vai obliterando cada vez mais as diferenças do trabalho e quase por toda a parte faz descer o salário a um mesmo nível baixo. A concorrência crescente dos burgueses entre si e as crises comerciais que daqui decorrem tornam o salário dos operários cada vez mais oscilante; o melhoramento incessante da maquinaria, que cada vez se desenvolve mais depressa, torna toda a sua posição na vida cada vez mais insegura; as colisões entre o operário singular e o burguês singular tomam cada vez mais o caráter de colisões de duas classes. Os operários começam por formar coalizões80 contra os burgueses; juntam-se para a manutenção do seu salário. Fundam eles mesmos associações duradouras para se premunirem para as insurreições ocasionais. Aqui e além a luta irrompe em motins.
De tempos a tempos os operários vencem, mas só transitoriamente. O resultado propriamente dito das suas lutas não é o êxito imediato, mas a união dos operários que cada vez mais se amplia. Ela é promovida pelos meios crescentes de comunicação, criados pela grande indústria, que põem os operários das diversas localidades em contato uns com os outros. Basta, porém, este contato para centralizar as muitas lutas locais, por toda a parte com o mesmo caráter, numa luta nacional, numa luta de classes. Mas toda a luta de classes é uma luta política. E a união, para a qual os burgueses da Idade Média, com os seus caminhos vicinais, precisavam de séculos, conseguem-na os proletários modernos com os caminhos-de-ferro em poucos anos.
Esta organização dos proletários em classe, e deste modo em partido político, é rompida de novo a cada momento pela concorrência entre os próprios operários. Mas renasce sempre, mais forte, mais sólida, mais poderosa. Força o reconhecimento de interesses isolados dos operários em forma de lei, na medida em que tira proveito das cisões da burguesia entre si. Assim [aconteceu] em Inglaterra com a lei das dez horas81.
De um modo geral, as colisões da velha sociedade promovem, de muitas maneiras, o curso de desenvolvimento do proletariado. A burguesia acha-se em luta permanente: de começo contra a aristocracia; mais tarde, contra os setores da própria burguesia cujos interesses entram em contradição com o progresso da indústria; sempre, contra a burguesia de todos os países estrangeiros. Em todas estas lutas vê-se obrigada a apelar para o proletariado, a recorrer à sua
ajuda, e deste modo a arrastá-lo para o movimento político. Ela própria leva, portanto, ao proletariado os seus elementos82 de formação próprios, ou seja, armas contra ela própria.
Além disto, como vimos, setores inteiros da classe dominante, pelo progresso da indústria, são lançados no proletariado, ou pelo menos vêem-se ameaçadas nas suas condições de vida. Também estes levam ao proletariado uma massa de elementos de formação83.
Por fim, em tempos em que a luta de classes se aproxima da decisão, o processo de dissolução no seio da classe dominante, no seio da velha sociedade toda, assume um caráter tão vivo, tão veemente, que uma pequena parte da classe dominante se desliga desta e se junta à classe revolucionária, à classe que traz nas mãos o futuro. Assim, tal como anteriormente uma parte da nobreza se passou para a burguesia, também agora uma parte da burguesia se passa para o proletariado, e nomeadamente uma parte dos ideólogos burgueses que conseguiram elevar-se a um entendimento teórico do movimento histórico todo.
De todas as classes que hoje em dia defrontam a burguesia só o proletariado é uma classe realmente revolucionária. As demais classes vão-se arruinando e soçobram com a grande indústria; o proletariado é o produto mais característico desta.
Os estados médios o pequeno industrial, o pequeno comerciante, o artesão, o camponês, todos eles combatem a burguesia para assegurar, face ao declínio, a sua existência como estados médios. Não são, pois, revolucionários, mas conservadores. Mais ainda, são reacionários84, procuram fazer andar para trás a roda da história. Se são revolucionários, são-no apenas à luz da sua iminente passagem para o proletariado, e assim não defendem os seus interesses presentes, mas os futuros, e assim abandonam a sua posição própria para se colocarem na do proletariado.
O lumpemproletariado, esta putrefação passiva das camadas mais baixas da velha sociedade, é aqui e além atirado para o movimento por uma revolução proletária, e por toda a sua situação de vida estará mais disposto a deixar-se comprar para maquinações reacionárias.
As condições de vida da velha sociedade estão aniquiladas já nas condições de vida do proletariado. O proletário está desprovido de propriedade; a sua relação com a mulher e os filhos já nada tem de comum com a relação familiar burguesa; o trabalho industrial moderno, a subjugação moderna ao capital, que é a mesma na Inglaterra e na França, na América e na Alemanha, tirou-lhe todo o caráter nacional. As leis, a moral, a religião são para ele outros tantos preconceitos burgueses, atrás dos quais se escondem outros tantos interesses burgueses.
Todas as classes anteriores que conquistaram a dominação procuraram assegurar a posição na vida já alcançada, submetendo toda a sociedade às condições do seu proveito. Os proletários só podem conquistar as forças produtivas sociais abolindo o seu próprio modo de apropriação até aqui e com ele todo o modo de apropriação até aqui. Os proletários nada têm de seu a assegurar, têm sim de destruir todas as seguranças privadas85 e asseguramentos privados.
Todos os movimentos até aqui foram movimentos de minorias ou no interesse de minorias. O movimento proletário é o movimento autônomo da maioria imensa no interesse da maioria imensa. O proletariado, a camada mais baixa da sociedade atual, não pode elevar-se, não pode endireitar-se, sem fazer ir pelos ares toda a superestrutura das camadas que formam a sociedade oficial. Pela
forma, embora não pelo conteúdo, a luta do proletariado contra a burguesia começa por ser uma luta nacional. O proletariado de cada um dos países tem naturalmente de começar por resolver os problemas com a sua própria burguesia.
Ao traçarmos as fases mais gerais do desenvolvimento do proletariado, seguimos de perto a guerra civil mais ou menos oculta no seio da sociedade existente até ao ponto em que rebenta numa revolução aberta e o proletariado, pelo derrube violento da burguesia, funda a sua dominação.
Toda a sociedade até aqui repousava, como vimos, na oposição de classes opressoras e oprimidas. Mas para se poder oprimir uma classe, têm de lhe ser asseguradas condições em que possa pelo menos ir arrastando a sua existência servil. O servo conseguiu chegar, na servidão, a membro da comuna, tal como o pequeno burguês a burguês sob o jugo do absolutismo feudal. Pelo contrário, o operário moderno, em vez de se elevar com o progresso da indústria, afunda-se cada vez mais abaixo das condições da sua própria classe. O operário torna-se num indigente e o pauperismo desenvolve-se ainda mais depressa86 do que a população e a riqueza. Torna-se com isto evidente que a burguesia é incapaz de continuar a ser por muito mais tempo a classe dominante da sociedade e a impor à sociedade como lei reguladora as condições de vida da sua classe. Ela é incapaz de dominar porque é incapaz de assegurar ao seu escravo a própria existência no seio da escravidão, porque é obrigada a deixá-lo afundar-se numa situação em que tem de ser ela a alimentá-lo, em vez de ser alimentada por ele. A sociedade não pode mais viver sob ela [ou seja, sob a dominação da burguesia], i é, a vida desta já não é compatível com a sociedade.
A condição essencial87 para a existência e para a dominação da classe burguesa é a acumulação da riqueza nas mãos de privados, a formação e multiplicação do capital; a condição do capital é o trabalho assalariado. O trabalho assalariado repousa exclusivamente na concorrência entre os operários. O progresso da indústria, de que a burguesia é portadora, involuntária e sem resistência, coloca no lugar do isolamento dos operários pela concorrência a sua união revolucionária pela associação. Com o desenvolvimento da grande indústria é retirada debaixo dos pés da burguesia a própria base sobre que ela produz e se apropria dos produtos. Ela produz, antes do mais, o seu88 próprio coveiro. O seu declínio e a vitória do proletariado são igualmente inevitáveis.
II- Proletários e Comunistas
Em que relação se encontram os comunistas com os proletários em geral?
Os comunistas não são nenhum partido particular face aos outros partidos operários.
Não têm nenhuns interesses separados dos interesses do proletariado todo.
Não estabelecem nenhuns princípios particulares89 segundo os quais queiram moldar o movimento proletário.
Os comunistas diferenciam-se dos demais partidos proletários apenas pelo fato de que, por um lado, nas diversas lutas nacionais dos proletários eles acentuam e fazem valer os interesses comuns, independentes da nacionalidade, do proletariado todo, e pelo fato de que, por outro lado, nos diversos estádios de desenvolvimento por que a luta entre o proletariado e a burguesia passa, representam sempre o interesse do movimento total.
Os comunistas são, pois, na prática, o setor mais decidido, sempre impulsionador, dos partidos operários de todos os países; na teoria, eles têm, sobre a restante massa do proletariado, a vantagem da inteligência das condições, do curso e dos resultados gerais do movimento proletário.
O objetivo mais próximo dos comunistas é o mesmo do que o de todos os restantes partidos proletários: formação do proletariado em classe, derrubamento da dominação da burguesia, conquista do poder político pelo proletariado.
As proposições teóricas dos comunistas não repousam de modo nenhum em ideias, em princípios, que foram inventados ou descobertos por este ou por aquele melhorador do mundo.
São apenas expressões gerais de relações efetivas de uma luta de classes que existe, de um movimento histórico que se processa diante dos nossos olhos. A abolição de relações de propriedade até aqui não é nada de peculiarmente característico do comunismo.
Todas as relações de propriedade estiveram submetidas a uma constante mudança histórica, a uma constante transformação histórica.
A Revolução Francesa, p. ex., aboliu a propriedade feudal a favor da burguesa.
O que distingue o comunismo não é a abolição da propriedade em geral, mas a abolição da propriedade burguesa.
Mas a moderna propriedade privada burguesa é a expressão última e mais consumada da geração e apropriação dos produtos que repousam em90 oposições de classes, na exploração de umas91 pelas outras92.
Neste sentido, os comunistas podem condensar a sua teoria numa única expressão: supressão da propriedade privada.
Têm-nos censurado, a nós, comunistas, de que quereríamos abolir a propriedade adquirida pessoalmente, fruto do trabalho próprio a propriedade que formaria a base de toda a liberdade, atividade e autonomia pessoais.
Propriedade fruto do trabalho, conseguida, ganha pelo próprio! Falais da propriedade pequeno-burguesa, pequeno-camponesa, que precedeu a propriedade burguesa? Não precisamos de a abolir, o desenvolvimento da indústria aboliu-a e abole-a diariamente.
Ou falais da moderna propriedade privada burguesa?
Mas será que o trabalho assalariado, o trabalho do proletário, lhe cria propriedade? De modo nenhum. Cria o capital, i. é, a propriedade que explora o trabalho assalariado, que só pode multiplicar-se na condição de gerar novo trabalho assalariado para de novo o explorar. A propriedade, na sua figura hodierna, move-se na oposição de capital e trabalho assalariado.
Consideremos ambos os lados desta oposição.
Ser capitalista significa ocupar na produção uma posição não só puramente pessoal, mas social. O capital é um produto comunitário e pode apenas ser posto em movimento por uma atividade comum de muitos membros, em última instância apenas pela atividade comum de todos os membros da sociedade.
O capital não é, portanto, um poder pessoal, é um poder social.
Se, portanto, o capital é transformado em propriedade comunitária, pertencente a todos os membros da sociedade, a propriedade pessoal não se transforma então em propriedade social. Só se transforma o caráter social da propriedade. Perde o seu caráter de classe.
Vejamos agora o trabalho assalariado:
O preço médio do trabalhado assalariado é o mínimo do salário, i. é, a soma dos meios de vida que são necessários para manter vivo o operário como operário. Aquilo, portanto, de que o operário se apropria pela sua atividade chega apenas para gerar de novo a sua vida nua. De modo nenhum queremos abolir esta apropriação pessoal dos produtos de trabalho para a nova geração da vida imediata uma apropriação que não deixa nenhum provento líquido capaz de conferir poder sobre trabalho alheio. Queremos suprimir apenas o caráter miserável desta apropriação, em que o operário só vive para multiplicar o capital, só vive na medida em que o exige o interesse da classe dominante.
Na sociedade burguesa o trabalho vivo é apenas um meio para multiplicar o trabalho acumulado. Na sociedade comunista o trabalho acumulado é apenas um meio para ampliar, enriquecer, promover o processo da vida dos operários.
Na sociedade burguesa domina, portanto, o passado sobre o presente, na comunista o presente sobre o passado. Na sociedade burguesa o capital é autônomo e pessoal, ao passo que o indivíduo ativo não é autônomo nem pessoal.
E à supressão desta relação chama a burguesia supressão da personalidade e da liberdade! E com razão. Trata-se certamente da supressão da personalidade burguesa, da autonomia burguesa e da liberdade burguesa.
Por liberdade entende-se, no interior das atuais relações de produção burguesas, o comércio livre, a compra e venda livres.
Mas se cai o tráfico, cai também o tráfico livre. O palavreado acerca do livre tráfico, como todas as demais tiradas da nossa burguesia93 sobre a liberdade, só têm em geral sentido face ao tráfico constrangido, face ao burguês subjugado da Idade Média, mas não face à supressão comunista do tráfico, das relações de produção burguesas e da própria burguesia.
Horrorizais-vos por querermos suprimir a propriedade privada. Mas na vossa sociedade existente, a propriedade privada está suprimida para nove décimos dos seus membros; ela existe precisamente pelo fato de não existir para nove décimos. Censurais-nos, portanto, por querermos suprimir uma propriedade que pressupõe como condição necessária que a imensa maioria da sociedade não possua propriedade.
Numa palavra, censurais-nos por querermos suprimir a vossa propriedade. Certamente, é isso mesmo que queremos.
A partir do momento em que o trabalho já não possa ser transformado em capital, em dinheiro, em renda, em suma, num poder social monopolizável, i. é, a partir do momento em que a propriedade pessoal já não possa converter-se em propriedade burguesa, a partir desse momento declarais que a pessoa é suprimida.
Concedeis, por conseguinte, que por pessoa não entendeis mais ninguém a não ser o burguês, o proprietário burguês. E esta pessoa tem certamente de ser suprimida.
O comunismo não tira a ninguém o poder de se apropriar de produtos sociais; tira apenas o poder de, por esta apropriação, subjugar a si trabalho alheio.
Tem-se objetado que com a supressão da propriedade privada cessaria toda a atividade e alastraria uma preguiça geral.
De acordo com isso, a sociedade burguesa teria há muito de ter perecido de inércia; pois os que nela trabalham não ganham, e os que nela ganham não trabalham. Toda esta objeção vai dar à tautologia de que deixa de haver trabalho assalariado assim que deixar de haver capital.
Todas as objeções dirigidas contra o modo de apropriação e de produção comunista dos produtos materiais foram igualmente alargadas à apropriação e à produção dos produtos espirituais. Tal como, para o burguês, o cessar da propriedade de classe é o cessar da própria produção, também para ele o cessar da cultura de classe é idêntico ao cessar da cultura em geral.
A cultura cuja perda ele lamenta é, para a enorme maioria, a formação para máquina.
Mas não disputeis conosco enquanto medirdes pelas vossas representações burguesas de liberdade, de cultura, de direito, etc., a abolição da propriedade burguesa. As vossas próprias ideias são produtos das relações de produção e propriedade burguesas, tal como o vosso direito é apenas a vontade da vossa classe elevada a lei, uma vontade cujo conteúdo está dado nas condições materiais de vida da vossa classe.
A representação interesseira, na qual transformais as vossas relações de produção e de propriedade de relações históricas transitórias no curso da produção em leis eternas da Natureza e da razão, partilhai-la com todas as classes dominantes já desaparecidas. O que compreendeis para a propriedade antiga, o que compreendeis para a propriedade feudal, já não podeis compreender para a propriedade burguesa.
Supressão da família! Até os mais radicais se indignam com este propósito infame dos comunistas.
Sobre que assenta a família atual, a família burguesa? Sobre o capital, sobre o proveito privado. Completamente desenvolvida ela só existe para a burguesia; mas ela encontra o seu complemento na ausência forçada da família para os proletários e na prostituição pública.
A família dos94 burgueses elimina-se naturalmente com o eliminar deste seu complemento, e ambos desaparecem com o desaparecer do capital.
Censurais-nos por querermos suprimir a exploração das crianças pelos pais? Confessamos este crime.
Mas, dizeis vós, nós suprimimos as relações mais íntimas ao pormos no lugar da educação doméstica a social.
E não está também a vossa educação determinada pela sociedade? Pelas relações sociais em que educais, pela intromissão mais direta ou mais indireta da sociedade, por meio da escola, etc.? Os comunistas não inventam o efeito da sociedade sobre a educação; apenas transformam o seu caráter, arrancam a educação à influência da classe dominante.
O palavreado burguês acerca da família e da educação, acerca da relação íntima de pais e filhos, torna-se tanto mais repugnante quanto mais, em consequência da grande indústria, todos os laços de família dos proletários são rasgados e os seus filhos transformados em simples artigos de comércio e instrumentos de trabalho.
Mas vós, comunistas, quereis introduzir a comunidade das mulheres, grita-nos toda a burguesia em coro.
O burguês vê na mulher um mero instrumento de produção. Ouve dizer que os instrumentos de produção devem ser explorados comunitariamente, e naturalmente não pode pensar senão que a comunidade virá igualmente a ser o destino das mulheres.
Não suspeita que se trata precisamente de suprimir a posição das mulheres como meros instrumentos de produção.
De resto, não há nada mais ridículo do que a moralíssima indignação dos nossos burgueses acerca da pretensa comunidade oficial de mulheres dos comunistas. Os comunistas não precisam de introduzir a comunidade de mulheres; ela existiu quase sempre.
Os nossos burgueses, não contentes com o fato de que as mulheres e as filhas dos seus proletários estão à sua disposição, para nem sequer falar da prostituição oficial, acham um prazer capital em seduzir as esposas uns dos outros.
O casamento burguês é na realidade a comunidade das esposas. Quando muito poder-se-ia censurar aos comunistas quererem introduzir uma comunidade de mulheres franca, oficial, onde há uma hipocritamente escondida. É de resto evidente que com a supressão das relações de produção atuais desaparece também a comunidade de mulheres que dela decorre, ou seja, a prostituição oficial e não oficial.
Aos comunistas tem além disso sido censurado que querem abolir a pátria, a nacionalidade.
Os operários não têm pátria. Não se lhes pode tirar o que não têm. Na medida em que o proletariado tem primeiro de conquistar para si a dominação política, de se elevar a classe nacional95, de se constituir a si próprio como nação, ele próprio é ainda nacional, mas de modo nenhum no sentido da burguesia.
Os isolamentos e as oposições nacionais dos povos vão desaparecendo já cada vez mais com o desenvolvimento da burguesia, com a liberdade de comércio, com o mercado mundial, com a uniformidade da produção industrial e com as relações de vida que lhe correspondem.
A dominação do proletariado fá-los-á desaparecer ainda mais. A unidade de ação, pelo menos dos países civilizados, é uma das primeiras condições da sua libertação.
À medida que é suprimida a exploração de um indivíduo por outro, é suprimida a exploração de uma nação por outra.
Com a oposição das classes no interior da nação96 cai a posição hostil das nações entre si.
As acusações contra o comunismo que são levantadas sobretudo a partir de pontos de vista religiosos, filosóficos e ideológicos não merecem discussão pormenorizada.
Será preciso uma inteligência profunda para compreender que com as relações de vida dos homens, com as suas ligações sociais, com a sua existência social, mudam também as suas representações, intuições e conceitos, numa palavra, [muda] também a sua consciência?
Que prova a história das ideias senão que a produção espiritual se reconfigura com a da material? As ideias dominantes de um tempo foram sempre apenas as ideias da classe dominante.
Fala-se de ideias que revolucionam uma sociedade inteira; com isto exprime-se apenas o fato de que no seio da velha sociedade se formaram os elementos duma [sociedade] nova, de que a dissolução das velhas ideias acompanha a dissolução das velhas relações de vida.
Quando o mundo antigo estava em declínio, as religiões antigas foram vencidas pela religião cristã. Quando as ideias cristãs sucumbiram, no século XVIII, às ideias das Luzes, a sociedade feudal travava a sua luta de morte com a burguesia então revolucionária. As ideias de liberdade de consciência e de religião exprimiam apenas, no domínio do saber97, a dominação da livre concorrência.
“Mas”, dirão, “as ideias religiosas, morais, filosóficas, políticas, jurídicas, etc., modificaram-se certamente no decurso do desenvolvimento histórico. A religião, a moral, a filosofia, a política, o direito, mantiveram-se sempre nesta mudança.
“Além disso existem verdades eternas, como Liberdade, Justiça, etc., que são comuns a todos os estádios sociais. Mas o comunismo abole as verdades eternas, abole a religião, a moral, em vez de as configurar de novo, contradiz portanto todos os desenvolvimentos históricos até aqui.”
A que se reduz esta acusação? A história de toda a sociedade até aqui moveu-se em oposições de classes, as quais nas diversas épocas foram diversamente configuradas.
Mas fosse qual fosse a forma assumida, a exploração de uma parte da sociedade pela outra é um fato comum a todos os séculos passados. Não é de admirar, por isso, que a consciência social de todos os séculos, a despeito de toda a multiplicidade e diversidade, se mova em certas formas comuns, em formas98 de consciência que só se dissolvem completamente com o desaparecimento total da oposição de classes.
A revolução comunista é a ruptura mais radical com as relações de propriedade legadas; não admira que no curso do seu desenvolvimento se rompa da maneira mais radical com as ideias legadas.
Deixemos contudo as objeções da burguesia contra o comunismo.
Já antes vimos que o primeiro passo na revolução operária é a elevação do proletariado a classe dominante, a conquista da democracia pela luta.
O proletariado usará a sua dominação política para arrancar a pouco e pouco todo o capital à burguesia, para centralizar todos os instrumentos de produção na mão do Estado, i. é, do proletariado organizado como classe dominante, e para multiplicar o mais rapidamente possível a massa das forças de produção.
Naturalmente isto só pode primeiro acontecer por meio de intervenções despóticas no direito de propriedade e nas relações de produção burguesas, através de medidas, portanto, que economicamente parecem insuficientes e insustentáveis mas que no decurso do movimento levam para além de si mesmas e são inevitáveis como meios de revolucionamento de todo o modo de produção.
Estas medidas99 serão naturalmente diversas consoante os diversos países.
Para os países mais avançados, contudo, poderão ser aplicadas de um modo bastante geral as seguintes:
- Expropriação da propriedade fundiária e emprego das rendas fundiárias para despesas do Estado.
- Pesado imposto progressivo.
- Abolição do direito de herança.
- Confiscação da propriedade de todos os emigrantes100 e rebeldes.
- Centralização do crédito nas mãos do Estado, através de um banco nacional com capital de Estado e monopólio exclusivo.
- Centralização do101 sistema de transportes nas mãos do Estado.
- Multiplicação das fábricas nacionais, dos instrumentos de produção, arroteamento e melhoramento dos terrenos de acordo com um plano comunitário.
- Obrigatoriedade do trabalho para todos, instituição de exércitos industriais, em especial para a agricultura.
- Unificação da exploração da agricultura e da indústria, atuação com vista à eliminação gradual da diferença102 entre cidade e campo.
- Educação pública e gratuita de todas as crianças. Eliminação do trabalho das crianças nas fábricas na sua forma hodierna. Unificação da educação com a produção material, etc.103
Desaparecidas no curso de desenvolvimento as diferenças de classes e concentrada toda a produção nas mãos dos indivíduos associados, o poder público perde o caráter político. Em sentido próprio, o poder político é o poder organizado de uma classe para a opressão de uma outra. Se o proletariado na luta contra a burguesia necessariamente se unifica em classe, por uma revolução se faz classe dominante e como classe dominante suprime violentamente as velhas relações de produção, então suprime juntamente com estas relações de produção as condições de existência da oposição de classes, as104 classes em geral, e, com isto, a sua própria dominação como classe.
Para o lugar da velha sociedade burguesa com as suas classes e oposições de classes entra uma associação em que o livre desenvolvimento de cada um é a condição para o livre desenvolvimento de todos.
IV - Posição dos Comunistas para com os Diversos Partidos Oposicionistas
De acordo com a seção II é evidente a relação dos comunistas para com os partidos operários já constituídos, portanto, a sua relação para com os cartistas em Inglaterra e os reformadores agrários na América do Norte.
Lutam para alcançar os fins e interesses imediatos da classe operária, mas no movimento presente representam simultaneamente o futuro do movimento. Em França os comunistas juntam-se ao partido socialista-democrático130 contra a burguesia conservadora e radical, sem por isso abdicarem do direito de assumir uma atitude crítica perante as frases e as ilusões provenientes do legado revolucionário.
Na Suíça apoiam os radicais, sem deixar de reconhecer que este partido é composto por elementos contraditórios, em parte socialistas democráticos no sentido francês, em parte burgueses radicais.
Entre os Polacos os comunistas apoiam o partido que faz de uma revolução agrária condição da libertação nacional, aquele mesmo partido que deu vida à insurreição de Cracóvia de 1846131.
Na Alemanha o Partido Comunista luta, assim que a burguesia entra revolucionariamente em cena, em conjunto com a burguesia contra a monarquia absoluta, a propriedade feudal da terra e a pequena burguesice.
Mas nem por um instante deixa de formar nos operários uma consciência o mais clara possível sobre a oposição hostil132 entre burguesia e proletariado, para que os operários alemães possam virar logo as condições sociais e políticas, que a burguesia tem necessariamente de originar com a sua dominação, como outras tantas armas contra a burguesia, para que, depois do derrube das classes reacionárias na Alemanha, comece logo a luta contra a própria burguesia.
Para a Alemanha dirigem os comunistas a sua atenção principal, porque a Alemanha está em vésperas de uma revolução burguesa e porque leva a cabo este revolucionamento em condições de maior progresso da civilização europeia em geral e com um proletariado muito mais desenvolvido do que a Inglaterra no século XVII e a França no século XVIII, porque a revolução burguesa alemã só pode ser, portanto, o prelúdio imediato de uma revolução proletária.
Numa palavra, por toda a parte os comunistas apoiam todo o movimento revolucionário contra as situações sociais e políticas existentes.
Em todos estes movimentos põem em relevo a questão da propriedade, seja qual for a forma mais ou menos desenvolvida que ela possa ter assumido, como a questão fundamental do movimento.
Por fim, por toda a parte os comunistas trabalham na ligação e entendimento dos partidos democráticos de todos os países.
Os comunistas rejeitam dissimular as suas perspectivas e propósitos. Declaram abertamente que os seus fins só podem ser alcançados pelo derrube violento de toda a ordem social até aqui. Podem as classes dominantes tremer ante uma revolução comunista! Nela os proletários nada têm a perder a não ser as suas cadeias. Têm um mundo a ganhar.
Proletários de Todos os Países, Uni-vos!
Notas de rodapé
Esta edição da iniciativa da redação do Volksstaat (O Estado Popular) apresentava como título (bem como as subsequentes edições alemãs de 1883 e 1890): Das Kommunistische Manifest (O Manifesto Comunista).↩︎
Liga dos Comunistas: a primeira organização comunista internacional do proletariado em cuja criação Marx e Engels tiveram um papel destacado; existiu de 1847 a 1852. Ver o artigo de F. Engels, “Zur Geschichte des Bundes der Kommunisten”, MEW, vol. 21, Berlim, 1962, pp. 206-214 (cf. F. Engels, “Para a história da Liga dos Comunistas”, in OE, 1985, t. III, pp. 192-212).↩︎
Trata-se da revolução de Fevereiro em 1848 em França.↩︎
A primeira tradução inglesa do Manifesto, de Helen Macfarlane, apareceu em Novembro de 1850, abreviada, nos números 21-24 do semanário cartista The Red Republican (O Republicano Vermelho), publicado em Londres, por George Julian Harney, de Junho a Novembro de 1850. Tinha por título Manifesto of the German Communist Party (Manifesto do Partido Comunista Alemão). No preâmbulo editorial de Harney revela-se pela primeira vez que Marx e Engels são autores do Manifesto.↩︎
A 30 de Dezembro de 1871 apareceu em Nova Iorque uma reimpressão da tradução de Helen Macfarlane, no semanário Woodhull & Claflin’s Weekly (Semanário de Woodhull & Claflin’s). The Red Republican semanário cartista publicado em Londres por George Julian Harney de Junho a Novembro de 1850. Woodhull & Claflin’s Weekly semanário americano publicado em Nova Iorque de 1870 a 1876 pelas feministas burguesas Victoria Woodhull e Tennessee Claflin.↩︎
Insurreição de Junho: insurreição dos operários de Paris de 24 a 26 de Junho de 1848 que Engels em 1888 apontou como “a primeira grande batalha entre o proletariado e a burguesia”; o ministro da Guerra Cavaignac afogou-a em sangue.↩︎
As tentativas de publicação do Manifesto em francês, em 1848, 1849, 1851 e 1869, fracassaram tanto quanto se conseguiu apurar até hoje. A edição francesa referida do Manifesto apareceu (incompleta, na base da reimpressão em Nova Iorque da tradução inglesa de Helen Macfarlane) no semanário de Nova Iorque Le Socialiste (O Socialista), nos números 16-26, de Janeiro a 30 de Março de 1872. Le Socialiste semanário publicado em francês em Nova Iorque desde Outubro de 1871 a Maio de 1873; de Dezembro de 1871 a Outubro de 1872 foi o órgão das seções francesas da Federação Norte-Americana da Internacional; apoiou os elementos burgueses e pequeno-burgueses da Federação Norte-Americana da Internacional. Depois do Congresso da Haia desligou-se da Internacional.↩︎
A nova tradução francesa referida não chegou a aparecer. Foi iniciada em Dezembro de 1848 uma primeira tradução do Manifesto para o polonês, até hoje, contudo, não foi possível encontrar uma prova bibliográfica do seu aparecimento.↩︎
Trata-se da primeira edição russa do Manifesto do Partido Comunista, publicada, sem página de rosto (sem indicação dos autores, do tradutor, do lugar e da data de publicação) em 1869 em Genebra. A tradução, atribuída mais tarde por Marx e Engels a Bakunin, adulterou numa série de passagens o conteúdo do Manifesto. Os erros da primeira edição foram eliminados na edição publicada em Genebra em 1882, traduzida por Gueórgui Plekhánov. A tradução de Plekhánov deu início a uma ampla difusão das ideias do Manifesto na Rússia.↩︎
Uma primeira tradução dinamarquesa do Manifesto, de 1848, não pôde até hoje ser verificada. A única tradução do Manifesto já publicada em 1848 que se descobriu intacta é a edição sueca Kommunismens Röst Förklaring af det Kommunistiska Partiet (Estocolmo).↩︎
Comuna de Paris de 1871: primeira experiência de ditadura do proletariado na história, governo revolucionário da classe operária criada pela revolução proletária em Paris. Durou 72 dias: de 18 de Março a 28 de Maio de 1871.↩︎
Ver MEW, vol. 17, pp. 335-336. OE, t. 2, 1983, p. 237. (N. da Ed.)↩︎
Esta edição foi publicada em Genebra numa coleção dirigida por Piotr Lavrov. A tradução é de Plekhánov e não de Vera Zassúlitch como erroneamente Engels mais tarde referirá.↩︎
Trata-se da Tipografia Russa Livre, na qual foi impresso o jornal democrático-revolucionário Kolokol (O Sino), editado por A. I. Herzen e N. P. Ogariov. A tipografia, fundada por Herzen, esteve instalada em Londres até 1865; depois foi transferida para Genebra. A referida edição do Manifesto foi impressa nesta tipografia em 1869.↩︎
Em inglês no texto: lavradores, rendeiros. (N.da Ed.)↩︎
Nicolau I. (N.da Ed.)↩︎
Marx e Engels referem-se à situação criada depois do assassinato do imperador Alexandre II pelos adeptos da Liberdade do Povo em 1 de Março de 1881, quando Alexandre III, já coroado, não saía de Gátchina com medo de outros possíveis atos terroristas por parte do Comitê Executivo secreto da organização Liberdade do Povo.↩︎
Obchtchina: comunidade, aldeia. (N. da Ed.)↩︎
Esta edição foi a primeira que o Partido Social-Democrata Alemão publicou com uma grande tiragem (10 mil exemplares).↩︎
Marx morreu em 14 de Março de 1883.↩︎
“Deste pensamento”, digo eu no prefácio da tradução “que, na minha maneira de ver está vocacionado para fundamentar na ciência da história o mesmo progresso que a teoria de Darwin fundamentou na ciência da Natureza - deste pensamento, tínhamo-nos nós ambos gradualmente aproximado já alguns anos antes de 1845. Até que ponto eu tinha avançado autonomamente nesta direção mostra-o a minha Die Lage der arbeitenden Klasse in England [A Situação das Classes Laboriosas em Inglaterra ver MEW, vol. 2, pp. 225-506 N. Ed.]. Mas quando voltei a encontrar Marx, em Bruxelas, na primavera de 1845, já ele a tinha acabado de elaborar, e apresentou-ma em termos quase tão claros como estes em que acima a condensei.” (Nota de Engels à edição alemã de 1890.)↩︎
Esta edição foi publicada em Londres pelo editor William Reeves. Trata-se da única edição inglesa de que Engels se ocupou pessoalmente.↩︎
Processo dos Comunistas em Colônia (4 de Outubro-12 de Novembro de 1852): processo provocatório organizado pelo governo da Prússia contra onze membros da Liga dos Comunistas. Acusados de alta traição na base de documentos falsificados e testemunhos falsos, sete deles foram condenados a prisão numa fortaleza por prazos de 3 a 6 anos. Os vis métodos provocatórios utilizados pelo Estado policial prussiano contra o movimento operário internacional foram denunciados por Marx e Engels: ver o artigo de Engels “The Late Trial at Cologne” (“O Recente Julgamento em Colônia”) in MEGA, vol. 1/11, 1973, pp. 436-441 (cf. OE, 1982, t. 1, pp. 406-412); e o folheto de Marx Enthüllungen über den Kommunisten-Prozess zu Köln [Revelações sobre o Processo dos Comunistas de Colônia], MEGA, vol. 1/11, pp. 363-422.↩︎
A Associação Internacional dos Trabalhadores (mais tarde conhecida como Primeira Internacional) foi fundada em 28 de Setembro de 1864 numa reunião pública internacional de operários no St. Martin’s Hall de Londres. Nela foi também eleito um Comitê provisório, que contava Karl Marx entre os seus membros. Marx foi depois eleito para a comissão designada a 5 de Outubro, na primeira sessão do Comitê, para redigir os documentos programáticos da Associação. A 20 de Outubro a comissão encarregou Marx de rever o documento por ela preparado durante a doença de Marx e redigido no espírito das ideias de Mazzini e Owen. Em lugar desse documento, Marx escreveu de fato dois textos inteiramente novos - a Inaugural Adress of the Working Men’s International Association (Mensagem Inaugural da Associação Internacional dos Trabalhadores) (ver MEGA2, vol. 1/20, pp. 3-12; cf OE, t. 2, 1983, pp. 5-13) e os Provisional Rules of the Association (Estatutos Provisórios da Associação) (ver MEGA2, vol. 1/20, pp. 13-15), que foram aprovados na sessão da comissão de 27 de Outubro. Em 1 de Novembro de 1864 a Mensagem e os Estatutos foram ratificados por unanimidade pelo Comitê provisório, que se constituiu em órgão dirigente da Associação. Este órgão, que entrou na história como Conselho Geral da Internacional, foi predominantemente denominado Conselho Central até finais de 1866. Karl foi de fato o dirigente do Conselho Geral. Foi o seu verdadeiro organizador, o seu chefe, o autor de numerosas mensagens, declarações, resoluções e outros documentos do Conselho.↩︎
Perante nós, pessoalmente, Lassalle sempre se reconheceu com sendo um discípulo de Marx e, como tal, situava-se no terreno do Manifesto. Mas na sua agitação pública em 1862-1864, ele não ia além de exigir cooperativas de produção sustentadas por créditos do Estado.↩︎
O Congresso de Haia que decidiu a transferência do Conselho Geral da Associação Internacional dos Trabalhadores para a América realizou-se em 1872. A Internacional continuou nos Estados Unidos até ao Congresso de Filadélfia de 1876. Engels equivoca-se aqui na data, em 1874 Friedrich Sorge abandonou todavia o cargo de secretário do Conselho Geral.↩︎
W. Bevan. (N. da Ed.)↩︎
Engels refere-se ao vol. 1 da Socialistisk Bibliotek, que retoma a tradução provavelmente de Eduard Wiinblad, publicada em Janeiro de 1884 no Social-Demokraten de Copenhague.↩︎
Trata-se da tradução de Laura Lafargue publicada em Le Socialiste, Paris, entre Agosto e Novembro de 1885. Em 1886 esta tradução é reproduzida, revista, em apêndice ao livro de Gabriel Mermeix, La France Socialiste, Notes d’histoire contemporaine.↩︎
Publicada no semanário El Socialista, de 11 de Junho a 6 de Agosto de 1886; publicada em livro sob o título de Manifiesto del Partido Comunista nesse mesmo ano, na Biblioteca de “El Socialista”. A tradução é de José Mesa que já em 1872 em La Emancipación havia publicado uma versão em parte a partir do francês (segundo uma versão do texto saído em 1872 em Le Socialiste de Nova Iorque, revista por Engels) e em parte do alemão.↩︎
Marx e Engels expuseram esta tese teórica numa série de trabalhos a partir dos anos 40 do século XIX; ela veio a figurar como primeiro considerando dos Estatutos da Associação Internacional dos Trabalhadores nas suas diferentes versões (ver, por exemplo, MEGA vol. 1/20, pp. 13 e 236, e vol. 1/22, p. 365.)↩︎
The Condition of the Working Class in England in 1844. By Frederick Engels. Translated by Florence K. Wischnewetzky, New York, Lovell-London, W. Reeves, 1888.↩︎
Esta “4.ª edição alemã autorizada” foi publicada em Londres pela German Cooperative Publishing Co.↩︎
A anteceder este “novo prefácio” de Engels, figuravam os prefácios das edições alemãs de 1872 (de Marx e de Engels) e de 1883 (de Engels).↩︎
O original veio entretanto a ser encontrado. É a partir dele que fazemos a tradução que figura, nesta edição. Tomamos aqui por base o texto da “retradução” de Engels.↩︎
Trata-se da tradução de Witold Piekarski, publicada em 1883.↩︎
Perante nós Lassalle declarou-se sempre pessoalmente como “discípulo” de Marx e como tal colocava-se obviamente no terreno do Manifesto. O mesmo não se passava com aqueles dos seus seguidores que não iam além da sua reivindicação de cooperativas produtivas com crédito estatal e dividiam a classe operária toda em ajudados pelo Estado e em ajudados por si próprio.↩︎
W. Bevan. (N.da Ed.)↩︎
Este prefácio foi escrito por Engels em 1 de Maio de 1890, no dia em que, por decisão do Congresso de Paris da II Internacional (Julho de 1889), se realizaram numa série de países da Europa e da América manifestações de massas, greves e comícios de operários exigindo a jornada de trabalho de 8 horas e o cumprimento de outras decisões do Congresso. A partir de então o 1º de Maio tornou-se, para os operários de todos os países, o dia de manifestação combativa das forças revolucionárias e da solidariedade internacional do proletariado.↩︎
Trata-se do primeiro Congresso da Associação Internacional dos Trabalhadores, realizado em Genebra de 3 a 8 de Setembro de 1866.↩︎
Trata-se do Congresso Operário Socialista Internacional, realizado em Paris de 14 a 20 de Junho de 1889.↩︎
1ª edição polonesa: Londres, 1848; 2.a edição: Genebra, 1883; 3.a edição: Londres, 1892.↩︎
Polônia do Congresso: designação da parte da Polônia que passou oficialmente, com o nome de Reino Polonês, para a Rússia, por decisão do Congresso de Viena de 1814-1815.↩︎
Trata-se da insurreição de libertação nacional polonesa de 1863-1864, dirigida contra o jugo da autocracia tsarista. Devido à inconsequência do partido dos “vermelhos”, da pequena nobreza, que perderam a iniciativa revolucionária, a direção da insurreição passou para a aristocracia agrária e a grande burguesia, que aspiravam a um entendimento vantajoso com o governo tsarista. No Verão de 1864 a insurreição foi impiedosamente esmagada pelas tropas tsaristas.↩︎
Esta frase foi omitida na tradução polonesa de 1892. (N.da Ed.)↩︎
“Ao leitor italiano” é uma indicação introduzida pelo tradutor italiano (Turati) do prefácio de Engels. (N.da Ed.)↩︎
No rascunho Engels acrescenta à margem: “Os operários parisienses conheciam perfeitamente o antagonismo que existia entre a cl[asse] op[erária] e a b[ur]g[uesia], mas ignoravam em 1848, como 1871”. (N. da Ed.).↩︎
Turati traduz: em qualquer. (N.da Ed.)↩︎
No rascunho Engels tinha escrito (e depois riscado): “estabeleceram o regime da classe capitalista, e como a classe capitalista não pode reinar senão na condição. (N.da Ed.)↩︎
Segundo outras versões do manuscrito: “gigantesca” ou “um homem com proporções de gênio”. (N. da Ed.)↩︎
Na edição de 1848: lendas.↩︎
Sobre a publicação do Manifesto em diferentes traduções ver as indicações constantes dos Prefácios e as respectivas notas. (N. Ed.)↩︎
Por burguesia entende-se a classe dos Capitalistas modernos, proprietários dos meios de produção social e empregadores de trabalho assalariado. Por proletariado, a classe dos trabalhadores assalariados modernos, os quais, não tendo meios próprios de produção, estão reduzidos a vender a sua força de trabalho para poderem viver. (Nota de Engels à edição inglesa de 1888.)↩︎
Isto é, toda a história escrita. Em 1847, a pré-história da sociedade, a organização social existente antes da história registrada, era praticamente desconhecida. Desde então, Haxthausen descobriu a propriedade comum da terra na Rússia, Maurer provou que ela é o fundamento social de que partiram todas as raças Teutônicas da história, e a pouco e pouco verificou-se que as comunidades aldeãs são ou foram a forma primitiva de sociedade em toda a parte, da Índia à Irlanda. A organização interna desta primitiva sociedade Comunista foi posta a nu, na sua forma típica, pela descoberta culminante feita por Morgan da verdadeira natureza da gens e da sua relação com a tribo. Com a dissolução destas comunidades primevas a sociedade começa a diferenciar-se em classes separadas e finalmente antagônicas. Tentei reconstituir este processo de dissolução em Der Ursprung der Familie, des Privateigenthums und des Staats, zweite Auflage, Stuttgart 1886. [A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado, segunda edição, Estugarda, 1886. Ver MEW, vol. 21, pp. 25-173; cf. OE, t. III, 1985, pp. 213-374.] (Nota de Engels à edição inglesa de 1888.) (Engels incluiu também esta nota na edição alemã do Manifesto do Partido Comunista de 1890, retirando apenas a última frase.)↩︎
Membro pleno de uma corporação, mestre dentro de uma corporação, e não o seu presidente (Nota de Engels à edição inglesa de 1888.)↩︎
Pfahlbürger, Pfahlbürgertum e Pfahlbürgerschaft: designações sem equivalente linguístico em português: literalmente, burguês da paliçada; burguesia da paliçada. Durante a Idade Média, no Norte e Leste da Europa, estas designações aplicavam-se aos moradores de um espaço compreendido entre os muros do castelo e uma paliçada circundante. Eram geralmente mercadores. Mediante o pagamento de imposto e obrigações de participação na defesa, recebiam também proteção da cidade. A determinação precisa do seu estatuto foi objeto de repetidas controvérsias.↩︎
Nas edições de 1848, 1872 e 1883: os novos. (N. Ed.)↩︎
Na edição de 1888 acrescenta-se: desta classe. (N. da Ed..)↩︎
Nas edições de 1848 a 1872: as associações. (N. da Ed..)↩︎
“Comuna” era o nome tomado em França pelas cidades nascentes mesmo antes de terem conquistado dos seus senhores e amos feudais a auto-administração local e direitos políticos como “Terceiro Estado”. De um modo geral, para o desenvolvimento econômico da burguesia, é a Inglaterra tomada aqui como o país típico; para o seu desenvolvimento político, a França. (Nota de Engels à edição inglesa de 1888.) Assim chamavam os habitantes das cidades da Itália e da França às suas comunidades urbanas, depois de terem comprado ou conquistado aos seus senhores feudais os primeiros direitos de auto-administração. (Nota de Engels à edição alemã de 1890.)↩︎
Na edição de 1888: (como na Itália e na Alemanha). (N. da Ed..)↩︎
Na edição de 1888 acrescenta-se: (como em França). (N. da Ed..)↩︎
Na edição de 1848 acrescenta-se: e. (N. da Ed..)↩︎
Cruzadas: movimento militar de colonização dirigido para o Oriente, promovido pelos grandes senhores feudais da Europa Ocidental, pelos cavaleiros e pelas cidades comerciais italianas nos séculos XI-XIII, sob a bandeira religiosa da libertação dos santuários cristãos em Jerusalém e outros “lugares santos”, em poder dos muçulmanos. Os ideólogos e inspiradores das cruzadas foram a Igreja católica e o papado, que aspiravam ao domínio do mundo; a principal força militar foram os cavaleiros. Participaram nas cruzadas também os camponeses, que através delas procuravam libertar-se do jugo dos feudais. As cruzadas foram acompanhadas de pilhagens e violências exercidas tanto sobre as populações muçulmanas como sobre as populações cristãs dos países por onde passavam os cruzados. O seu objetivo era a conquista não apenas dos Estados muçulmanos da Síria, Palestina, Egito e Túnis, mas também o Império Bizantino ortodoxo. As conquistas dos cruzados no Mediterrâneo oriental não tinham solidez, e as possessões por eles obtidas voltaram dentro de pouco tempo às mãos dos muçulmanos.↩︎
Na edição de 1848: pela. (N. da Ed.)↩︎
Na edição de 1848: porém. (N. da Ed.)↩︎
Na edição de 1848 acrescenta-se: mesmo↩︎
Na edição de 1848 acrescenta-se: guerra de devastação. (N. da Ed.)↩︎
Na edição de 1848 acrescenta-se: da civilização burguesa e. (N. da Ed.)↩︎
Nas edições de 1848 e 1872: dos. (N. da Ed.)↩︎
Na edição de 1848: o operário. (N. da Ed.)↩︎
Nos seus trabalhos posteriores Marx e Engels passaram a utilizar, em vez das expressões “valor do trabalho” e “preço do trabalho”, as expressões mais precisas de “valor da força de trabalho” e “preço da força de trabalho”, introduzidas por Marx. Ver sobre este assunto a introdução de Engels ao trabalho de Marx Lohnarbeit und Kapital (Trabalho Assalariado e Capital), MEW, vol. 6, pp. 593-599; cf. OE, 1982, t. I, pp. 142-150).↩︎
Na edição de 1888: carga. (N. da Ed.)↩︎
Na edição de 1848: o operário. (N. da Ed.)↩︎
Na edição de 1888: carga. (N. da Ed.)↩︎
Nas edições de 1848, 1872 e 1883 acrescenta-se: último. (N. da Ed.)↩︎
Na edição de 1848 acrescenta-se: e crianças. (N. da Ed.)↩︎
Em francês no texto: os que possuem ou vivem de rendimentos. (N. da Ed.)↩︎
Na edição de 1848 acrescenta-se: para si. (N. da Ed.)↩︎
Na edição de 1848 acrescenta-se: (Trade-Unions).(N. da Ed.)↩︎
A lei sobre a jornada de trabalho de dez horas (Ten Hour’s Bill), extensiva apenas a mulheres e adolescentes, foi aprovada no Parlamento em 8 de Junho de 1847, na sequência de uma forte e longa polêmica em que não deixariam de se defrontar e opor setores da aristocracia fundiária e da burguesia industrial. Todavia, na prática, numerosos industriais não respeitavam esta lei. Sobre esta questão veja-se, por exemplo, Engels, The Ten Hour’s Bill Question [A Questão das Dez Horas] e Die englische Zehnstudenbill [A Lei das Dez Horas Inglesas], MEGA, vol. 1/10, respectivamente, pp. 225-230 e pp. 305-314.↩︎
Na edição de 1888 acrescenta-se: políticos e gerais. (N. da Ed.)↩︎
Na edição de 1888 acrescenta-se: elementos de esclarecimento e de progresso. (N. da Ed.)↩︎
Nas edições de 1848, 1872 e 1883 acrescenta-se: pois. (N. da Ed.)↩︎
Nas edições de 1848, 1872 e 1883: toda a segurança privada até aqui. (N. da Ed.)↩︎
Nas edições de 1848, 1872 e 1883: rapidamente. (N. da Ed.)↩︎
Nas edições de 1848, 1872 e 1883: mais essencial. (N. da Ed.)↩︎
Nas edições de 1848 e 1872: os. (N. da Ed.)↩︎
Na edição de 1888: sectários. (N. da Ed.)↩︎
Nas edições de 1848, 1872 e 1883: nas. (N. da Ed.)↩︎
Na edição de 1888: maioria. (N. da Ed.)↩︎
Na edição de 1888: minoria. (N. da Ed.)↩︎
Na edição de 1848: burguês. (N. da Ed.)↩︎
Na edição de 1848: do. (N. da Ed.)↩︎
Na edição de 1888: a classe dirigente da nação. (N. da Ed.)↩︎
Na edição de 1848: das nações. (N. da Ed.)↩︎
Na edição de 1848: da consciência moral (N. da Ed.)↩︎
Nas edições de 1848, 1872 e 1883: em formas, formas. (N. da Ed.)↩︎
Ver Prefácio à edição alemã de 1872. (N. da Ed.)↩︎
Latifundiários e capitalistas, em geral fugidos para o estrangeiro, sabotando a economia. (N. da Ed.)↩︎
Na edição de 1848: de todo o. (N. da Ed.)↩︎
Na edição de 1848: oposição. (N. da Ed.)↩︎
Nas edições de 1848, 1872 e 1883: etc., etc. (N. da Ed.)↩︎
Na edição de 1848: das. (N. da Ed.)↩︎
Trata-se do movimento pela reforma eleitoral, que, sob a pressão das massas populares, foi adotada pela Câmara dos Comuns inglesa em 1831 e definitivamente ratificada pela Câmara dos Lordes em Junho de 1832. A reforma estava voltada contra o monopólio político da aristocracia agrária e financeira e abriu o acesso ao parlamento de representantes da burguesia industrial. O proletariado e a pequena burguesia, que constituíam a força principal da luta pela reforma, foram defraudados pela burguesia liberal e não obtiveram direitos eleitorais.↩︎
Não a Restauração Inglesa, de 1660 a 1689, mas a Restauração Francesa de 1814 a 1830 (Nota de Engels à edição inglesa de 1888). (Restauração de 1660-1689: período do segundo reinado da dinastia dos Stuarts na Inglaterra, derrubada pela revolução burguesa inglesa do século XVII. Restauração de 1814-1830: período do segundo reinado da dinastia dos Bourbons em França. O regime reacionário dos Bourbons, que representava os interesses da corte e dos clericais, foi derrubado pela revolução de Julho de 1830.).↩︎
Legitimistas: partidários da dinastia “legítima” dos Bourbons, derrubada em 1830, que representava os interesses dos detentores de grandes propriedades fundiárias hereditárias. Na luta contra a dinastia reinante dos Orleães (1830-1848), que se apoiava na aristocracia financeira e na grande burguesia, uma parte dos legitimistas recorria frequentemente à demagogia liberal, apresentando-se como defensores dos trabalhos contra os exploradores burgueses.↩︎
Jovem Inglaterra: grupo de políticos e literatos pertencentes ao partido dos tories; foi constituído no início dos anos 40 do século XIX. Exprimindo o descontentamento da aristocracia fundiária pelo reforço do poder político e econômico da burguesia, os membros da Jovem Inglaterra recorriam a métodos demagógicos para submeter à sua influência a classe operária e utilizavam-na na sua luta contra a burguesia.↩︎
Na edição inglesa de 1888 acrescenta-se que caíram da árvore da indústria. (N. da Ed.)↩︎
Isto aplica-se principalmente à Alemanha, onde a aristocracia fundiária e a fidalguia rural (ver nota final) têm largas porções das suas propriedades cultivadas por sua própria conta por administradores, e são, além disso, manufatureiros extensivos de açúcar de beterraba e destiladores de aguardentes de batata. A aristocracia Britânica mais rica está por agora bastante acima disto; mas também ela sabe como compensar o declínio das rendas emprestando o seu nome a promotores mais ou menos suspeitos de sociedades por ações. (Nota de Engels à edição inglesa de 1888.) (Nota: No original inglês squirearchy (equivalente ao alemão Junkertum): no sentido restrito, latifundiários aristocratas da Prússia oriental; no sentido lato, classe dos latifundiários alemães.)↩︎
Na edição de 1848 como gralha figura: heitige. Em edições seguintes figura: heutige, hodierno. Ao reproduzirem esta seção em 1850 na Neue Rheinische Zeitung. Politisch-ökonomische Revue, Marx e Engels corrigiram para heilige, sagrado. Cf. MEGA (Marx-Engels Gesamtausgabe, ed. G. Heyden e A. Iegoróv, Berlim, Dietz, 1975 e segs.), vol. 1/10, p. 986. (N. da Ed.)↩︎
Pfahlbürger, Pfahlbürgertum e Pfahlbürgerschaft: designações sem equivalente linguístico em português: literalmente, burguês da paliçada; burguesia da paliçada. Durante a Idade Média, no Norte e Leste da Europa, estas designações aplicavam-se aos moradores de um espaço compreendido entre os muros do castelo e uma paliçada circundante. Eram geralmente mercadores. Mediante o pagamento de imposto e obrigações de participação na defesa, recebiam também proteção da cidade. A determinação precisa do seu estatuto foi objeto de repetidas controvérsias.↩︎
Na edição de 1888: Por fim, quando os pertinazes fatos históricos dissiparam a embriaguez do autoembuste, esta forma de socialismo degenerou numa deplorável ressaca. (N. da Ed.)↩︎
Na edição de 1848 acrescenta-se: acerca da sociedade verdadeira. (N. da Ed.)↩︎
Lembremos que, para Marx, a filosofia de Kant (ao qual a expressão “razão prática” manifestamente alude) era considerada como “a teoria alemã da Revolução Francesa”. Cf. Das philosophische Manifest der historischen Rechtsschule (O Manifesto Filosófico da Escola Histórica do Direito), 1842. MEGA, vol. I/1, p. 194. Em Die deutsche Ideologie (A Ideologia Alemã), Marx e Engels chamam a atenção para o fato de que a Crítica da Razão Prática de Kant refletia a situação da burguesia alemã dos finais do século XVIII (MEW, vol. 3, pp. 176-177).↩︎
Na edição de 1848 acrescenta-se: este. (N. da Ed.)↩︎
Na edição de 1848 acrescenta-se: do seu. (N. da Ed.)↩︎
Ao reproduzirem esta Seção em 1850 na Neue Rheinisch Zeitung. Politische-Ekonomie Revue. Marx e Engels substituíram por responderam. Cf. MEGA, vol. I/10, p. 986. (N. da Ed.)↩︎
Na edição de 1888: filisteus. (N. da Ed.)↩︎
Pfahlbürger; Pfahlbürgertum e Pfahlbürgerschaft: designações sem equivalente linguístico em português: literalmente, burguês da paliçada; burguesia da paliçada. Durante a Idade Média, no Norte e Leste da Europa, estas designações aplicavam-se aos moradores de um espaço compreendido entre os muros do castelo e uma paliçada circundante. Eram geralmente mercadores. Mediante o pagamento de imposto e obrigações de participação na defesa, recebiam também proteção da cidade. A determinação precisa do seu estatuto foi objeto de repetidas controvérsias.↩︎
Na edição de 1888: pequeno filisteu. (N. da Ed.)↩︎
Spielbürger designação sem equivalente linguístico em português: literalmente, burgueses de pique (ou lança). A designação decorre dos piques de madeira que constituíam o armamento das camadas mais baixas dos habitantes da cidade, entre cujas obrigações se contava a da participação na defesa do burgo. A expressão veio a adquirir progressivamente uma conotação pejorativa: pessoa tacanha, filisteu, pequeno-burguês.↩︎
A tempestade revolucionária de 1848 varreu toda esta orientação sórdida e tirou aos seus defensores o apetite para continuarem a brincar ao socialismo. O principal representante e o tipo clássico desta orientação é o senhor Karl Grün. (Nota de Engels à edição alemã de 1890.)↩︎
Nas edições de 1848, 1872 e 1883: para. (N. da Ed.)↩︎
Na edição de 1848: o seu socialismo. (N. da Ed.)↩︎
Na edição de 1848: esta. (N. da Ed.)↩︎
Nas edições de 1848 e 1888: corresponde à. (N. da Ed.)↩︎
Falanstérios eram colônias Socialistas segundo o plano de Charles Fourier, Icária foi o nome dado por Cabet à sua Utopia e mais tarde à sua colônia Comunista Americana. (Nota de Engels à edição inglesa de 1888.) Colônias no país era o que Owen chamava às suas sociedades comunistas modelo. Falanstérios era o nome dos palácios sociais planeados por Fourier. Icária se chamava o país utópico da fantasia cujas instituições comunistas Cabet descreveu. (Nota de Engels à edição alemã de 1890.)↩︎
Trata-se dos democratas republicanos pequeno-burgueses e dos socialistas pequeno-burgueses, partidários do jornal francês La Réforme (A Reforma), publicado em Paris entre 1843 e 1850. Defendiam a instauração da república e a realização de reformas democráticas e sociais.↩︎
O partido então representado no Parlamento por Ledru-Rollin, na literatura por Louis Blanc, na imprensa diária pelo Réforme. O nome Social-Democracia significava, nestes seus inventores, uma seção do partido Democrático ou Republicano mais ou menos tingida de Socialismo. (Nota de Engels à edição inglesa de 1888.) O partido que então em França se chamava socialista-democrático era o representado politicamente por Ledru-Rollin e literariamente por Louis Blanc, era, pois, abissalmente diferente da social-democracia alemã dos nossos dias. (Nota de Engels à edição alemã de 1890.)↩︎
Em Fevereiro de 1846 foi preparada a insurreição nas terras polacas com vista à libertação nacional da Polônia. Os principais iniciadores da insurreição foram os democratas revolucionários polacos (Dembowski e outros). No entanto, em resultado da traição dos elementos da nobreza e da prisão dos dirigentes da insurreição pela polícia prussiana, a insurreição geral não se realizou e verificaram-se apenas explosões revolucionárias isoladas. Só em Cracóvia, submetida desde 1815 ao controle conjunto da Áustria, da Rússia e da Prússia, os insurrectos conseguiram alcançar a vitória em 22 de Fevereiro e criar um Governo Nacional, que publicou um manifesto sobre a abolição das cargas feudais. A insurreição em Cracóvia foi esmagada no começo de Março de 1846. Em Novembro de 1846 a Áustria, a Prússia e a Rússia subscreveram um tratado sobre a integração de Cracóvia no Império Austríaco.↩︎
Na edição de 1848: de. (N. da Ed.)↩︎